Brasília

– A Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil apresentou ontem, na sede da OAB em Brasília, o balanço nacional das vistorias realizadas no último dia 22, em 38 manicômios de 15 estados e do Distrito Federal. “Depois que os relatórios parciais começaram a chegar às nossas mãos eu passei a dizer que, no Brasil, saúde mental é coisa de louco”, disse o presidente da CNDH, Edísio Simões Souto (foto). O trabalho foi feito em parceria com a Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia (CFP). Segundo Edísio Souto, o quadro, em quase todos os manicômios visitados “é de extrema preocupação”. O relatório informa que foram encontrados pacientes nus em regiões frias, hospitais tratando doentes mentais como presidiários, em enfermarias fechadas com grades e cadeados, hospitais sem plantões médicos no fim de semana, alguns sem terapeutas ocupacionais, e hospitais sem medicamentos indispensáveis aos tratamentos. “Faz-se de conta que se trata, quando na verdade, sem esses profissionais e sem medicamentos não se está tratando ninguém”, afirma Souto.