Brasília – O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Carlos Velloso, classificou como ?caras-de-pau? os políticos que confessaram recorrer ao caixa dois para financiar suas campanhas eleitorais, declarando um valor bem inferior à Justiça Eleitoral. Para Velloso, quem admitiu investir os recursos recebidos do empresário Marcos Valério em campanhas pode acabar ficando impune porque o crime de omissão de informações da prestação de contas, previsto no Código Eleitoral, tem prescrição rápida.

?Fiquei muito entristecido com o que está acontecendo. Os políticos praticam e confessam um crime eleitoral. Fazem isso porque podem ficar impunes. E vão mesmo, com esta lei que está aí. É por isso que esses caras-de-pau fazem isso?, disse Velloso. De acordo com a legislação, omitir informações da prestação de contas feita à Justiça Eleitoral pode gerar pena de até cinco anos. Portanto, a prescrição do crime é de cinco anos da data que a ilegalidade foi cometida. Como a maioria dos acusados por esse crime tem bons antecedentes criminais, costuma-se aplicar pena de menos de um ano. Velloso defende que essa pena seja de, no mínimo, três anos e chegue ao máximo de sete anos.