Brasília

– Três fiscais da Delegacia Regional do Trabalho de Minas Gerais e um motorista que faziam a fiscalização de denúncias de trabalho escravo na região noroeste de Minas Gerais foram mortos com tiros na cabeça numa emboscada na manhã de ontem, numa estrada vicinal próxima à cidade de Unaí. Segundo a Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, o motorista Aílton Pereira de Oliveira, mesmo baleado, conseguiu fugir do local com o carro e chegar à estrada principal, onde foi socorrido.

Levado até o Hospital de Base de Brasília, Oliveira não resistiu e faleceu no início da tarde. Antes de morrer, ele descreveu a emboscada: um automóvel Fiat teria parado o carro da equipe de fiscalização e homens fortemente armados teriam descido e fuzilado os fiscais. Erastótenes de Almeida Gonçalves, Nelson José da Silva e João Batista Soares Lages morreram na hora.

O presidente da República em exercício, José Alencar, divulgou nota oficial de repúdio ao assassinato. Na nota, Alencar diz que “a consciência cívica da Nação se cobre de luto e indignação” pelas mortes dos fiscais e do motorista que os acompanhava durante a fiscalização de fazendas da região. Segundo o presidente em exercício, os três fiscais e o motorista foram vítimas de “insanidade e violência inadmissíveis num país que cultua os valores do direito e da liberdade”.

A nota também enfatiza que o governo vai apurar com rigor os assassinatos e reitera que todos os recursos serão aplicados para punir os autores do crime. Na tarde de ontem, uma força-tarefa integrada pelos ministros Ricardo Berzoini (Trabalho), Nilmário Miranda (Direitos Humanos), pela representante do Ministério Público Federal, Maria Eliane de Faria, e por membros das polícias Federal, Rodoviária Federal, Civil e Militar de Minas Gerais foi encaminhada à região de Unaí (situada a 170 km de Brasília) para apurar com rigor a morte dos fiscais.

José Alencar encerra a nota manifestando pesar pela morte dos fiscais em nome de toda a população brasileira. “Traduzindo o sentimento fraterno da nossa gente, queremos levar às famílias enlutadas, às autoridades, aos colegas de trabalho e ao povo mineiro o pesar e a solidariedade de todos os brasileiros”, afirma o presidente em exercício.