Pelo diagnóstico do médico José Gomes Temporão, a saúde brasileira tem um mal crônico, que pode ser descrito assim: gestão precária das pessoas, que se defendem acusando os ministros de querer privatizar os hospitais. Ele prescreve uma receita polêmica, que está apenas abrindo a temporada de debates: a gestão do sistema por meio de fundações estatais de direito privado, com funcionários contratados pela Consolidação das Lei do Trabalho (CLT) e tendo de cumprir metas.

Em entrevista ao Jornal da Tarde, o médico, que também é o ministro da Saúde deste segundo mandato do governo Lula, admite que para um sistema universal de saúde, o SUS, o Brasil precisa de investimentos públicos na casa dos 70% dos gastos totais do setor. Diante, porém, da realidade orçamentária do País, Temporão constata: ?Não dá mais para pedir um cheque em branco.

O ministro também acha ?razoável? que o País adote uma espécie de serviço civil obrigatório para médicos que estudaram em universidades públicas. A idéia, que já despertou grande discussão no passado e foi descartada, prevê que recém-formados sejam enviados para cidades consideradas de grande interesse público. Um recurso para tentar reduzir a carência de médicos em áreas remotas. ?Hoje, só as Forças Armadas fazem isso. Mas acho razoável também para alguém que estudou numa faculdade pública.

Outra proposta para lidar com a falta de especialistas no País é a criação dos pontos de telesaúde, para médicos que trabalham em áreas remotas, em municípios de difícil acesso. A proposta, em estudo por sua equipe, está cotada para integrar o PAC da Saúde, um conjunto de medidas que até o fim do mês será apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.