Foto: Agência Brasil

Marina Silva afirma que ?não adianta criar um bode expiatório? na análise da situação.

Brasília – A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou ontem que o relatório do Painel Intergovernamental para a Mudança Climática (IPCC) revela a ?dramaticidade? no impacto ambiental e no clima e reforça a necessidade de haver um esforço global para combater as mudanças climáticas e o aquecimento global. ?Não adianta criar um bode expiatório. Os esforços têm de ser conjuntos entre os países ricos e pobres?, ressaltou Marina.

Segundo a ministra, nenhum país ainda ?fez seu dever de casa?. Mas o Brasil, segundo ela, tem feito grande esforço. Marina citou o fato de o Brasil ter 45% de sua matriz energética limpos, enquanto as nações ricas têm apenas 6% e os países em desenvolvimento 13%.

Marina também mencionou a preocupação do Brasil em enfrentar o desmatamento, além do incentivo aos biocombustíveis. ?O Brasil já começou a fazer seu esforço, tanto é que o desmatamento está caindo. Entre 2005 e 2006, houve queda do desmatamento de 51% na Amazônia e de 75% na Mata Atlântica?, anotou. Marina salientou ainda o pioneirismo do Brasil em relação aos biocombustíveis. ?Não queremos ser a Opep dos biocombustíveis, mas certamente o Brasil poderá colaborar, inclusive em relação à tecnologia?, disse.

Na avaliação de Marina, o diagnóstico do IPCC não vem tarde e mostra ainda que tem de ser feito um trabalho conjunto visando o desenvolvimento, mas sem que se perca de vista a importância da conservação e da área ambiental. A ministra lembrou também que a falta de atenção à questão do meio ambiente tem reflexo na recessão econômica dos países.

A ministra antecipou ainda que o governo está preparando um plano de enfrentamento e mudança do clima, ainda sem nome definido, e que deverá ser anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos próximos 90 dias. O projeto, segundo ela, é resultado de trabalho interministerial e reforça a importância que o País tem dado ao tema.