Brasília (AE) – Quase um ano depois do escândalo do mensalão, que dizimou a cúpula petista e jogou o governo em sua maior crise, o PT inicia hoje seu 13.º Encontro Nacional, na capital paulista, enquadrado pelo Palácio do Planalto e com a missão de definir as diretrizes previamente acertadas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o programa da campanha à reeleição.

Lula participará da abertura do encontro e já avisou que quer carta branca para firmar alianças amplas, incluindo na lista todos os partidos envolvidos no escândalo do mensalão, como o PL o PTB e o PP, integrantes da base governista. "O PT tem de levar em conta as coligações que temos de construir e o que pensam os nossos aliados", disse Lula. "Não pode (a decisão) ser uma coisa unilateral do PT." O presidente afirmou, porém, que não vê problemas à vista.

O capítulo das alianças é um dos únicos pontos polêmicos da megarreunião, na quadra do Sindicato dos Bancários. "Eu vou lá como ‘Lulinha paz e amor’, até porque é o primeiro encontro nacional que o PT faz desde que sou presidente", afirmou. O último foi realizado em Olinda (PE), em 2001, quando o partido pregou a ruptura com o modelo econômico adotado pelo PSDB. Seis meses depois, em plena campanha de Lula, o discurso radical foi revogado na Carta ao Povo Brasileiro, que prometeu preservar o superávit primário.

Desta vez, o próprio Planalto agiu para que não haja mudança de rota no meio do caminho. A não ser que algo fuja do script, a direção do PT combinou tudo com o governo para que os debates petistas, de hoje a domingo, não provoquem turbulências na maratona pela reeleição de Lula.

Apesar da insistência da facção Democracia Socialista, a cúpula petista conseguirá barrar o acerto interno de contas com dirigentes e parlamentares envolvidos no escândalo que aniquilou o discurso da ética do partido. "Não é hora de promover uma caça às bruxas", afirmou o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). "Precisamos construir um ambiente de unidade e ninguém até agora assumiu a destinação pessoal dos recursos (do valerioduto). Não havendo prova, trata-se de uma ilegalidade eleitoral, de caixa 2 e cada um deve arcar com o que fez perante a Justiça Eleitoral."