O candidato da Coligação Lula Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT-PL-PC do B-PCB-PMN), afirmou hoje, em Umuarama, no noroeste do Paraná, estar disposto a se sentar à mesa de negociações com o presidente Fernando Henrique Cardoso, mas ressaltou que não quer apenas ?dividir o ônus? da crise financeira, e sim trocar informações sobre o que pode ser feito a partir de agora para lidar com as questões da economia. Em campanha, Lula disse que, apesar de o PT ter dado ?as orientações? de mudanças que acha necessárias, só um ?irresponsável? deixaria de discutir o assunto com Fernando Henrique num momento como este.

O candidato da Coligação Lula Presidente pediu para que a pauta definida pelo presidente – o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a transição de governo – seja mais especificada porque ?o PT não tem mais o que falar sobre o assunto?. ?Se o governo quiser dividir apenas o ônus da crise, não nos interessa porque o que queremos é debater o que é possível fazer daqui para frente, se o governo estiver disposto a cumprir alguma coisa?, disse, após desembarcar no início da tarde na cidade.

Lula lembrou que todas as propostas e compromissos do partido foram divulgados na ?Carta do Povo Brasileiro?, em junho, e na nota publicada logo após o governo ter firmado o novo acordo com o FMI.

?Já falamos que eram importantes a minirreforma tributária, a reabertura das linhas de crédito do Proex (Programa de Financiamento às Exportações) e, certamente, ele (Fernando Henrique) já leu?, disse. ?Sem uma pauta, essa conversa não tem sentido.? Ele cobrou ?clareza? do presidente. ?O presidente tem de assumir a responsabilidade de reconhecer que nem o acordo com o FMI resolveu o problema da fuga de capitais.?  Segundo Lula, isso significa que a economia do País ainda está vulnerável. ?O governo precisa fazer alguma coisa; não pode ficar lamentando, pois ninguém vive de lamentação a vida inteira. Está na hora de começar a mudar os rumos da economia brasileira.? O candidato da Coligação Lula acredita que a reunião com FH não o descolará da imagem de oposição. ?Não tem problema de imagem porque ninguém no mundo vai recusar um convite de um presidente num momento de crise profunda como este?, afirmou. ?Só um irresponsável não estaria disposto a discutir a crise, mas queremos uma pauta, que já está sendo discutida por José Dirceu (presidente nacional do PT).?