Brasília – Ao lançar o programa de saneamento básico e urbanização de favelas em Natal, no Rio Grande do Norte, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que essas comunidades parecem "o mundo cão levado às últimas conseqüências".

"Um cidadão que mora apinhado em uma palafita, em uma favela, com a família de oito ou nove, em um quarto de três por três, ali ele come, ele defeca, ele dorme, ou seja, é o mundo cão levado às últimas conseqüências".

Segundo Lula, apesar de habitadas por trabalhadores honestos, essas comunidades têm sido "reprodutoras? de mais violência.

"Houve um tempo em favela era uma coisa poética. Quem não lembra de Saudosa Maloca [música de Adoniran Barbosa]. Quem não lembra de Barracão de Zinco [Ave Maria no Morro, de Herivelto Martins]. Hoje – embora more uma maioria de pessoas honestas e trabalhadores e pelas dificuldades geográficas e degradação – a gente percebe que as favelas mais violentas são reprodutoras de mais violência".

A Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (PNAD) de 2005, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que 12,2% das moradias do Rio Grande do Norte não têm água tratada e 44,1% não têm acesso à rede de esgoto.

Dados do Ministério das Cidades revelam que o programa lançado nesta sexta-feira (27), o estado terá investimentos de R$ 649, 2 milhões nas áreas de saneamento básico e urbanização de favelas, sendo R$ 568,1 milhões provenientes do governo federal (R$ 225,8 milhões do Orçamento da União e R$ 342,3 milhões de financiamentos), R$ 34,6 milhões do governo estadual e R$ 46,4 milhões das prefeituras.

De acordo com o Ministério das Cidades, os recursos serão aplicados na ampliação dos sistemas de água e esgoto de Natal (capital), Parnamirim, Açu, Canguaretama, Goianinha, João Câmara, Mossoró, Nova Cruz, São José de Mipibú, Currais Novos e São Gonçalo do Amarante.

Três favelas da capital (África, Capitão Mor Gouveia e Nossa Senhora da Apresentação) serão urbanizadas e as casas em áreas de risco, removidas. As obras irão atender 1,5 milhão de pessoas, conforme o governo federal.

O presidente negou que o governo federal envia recursos apenas para prefeitos e governadores aliados. "É uma bobagem ou pequenez de quem pensa ou de quem escreve que um presidente da República e seus ministros tomam decisões de investimento em função do partido que a pertence o prefeito", afirmou.