A juíza Rosemarie Diendrichs Pimpão, do Tribunal Regional do Trabalho da 9.ª Região, concedeu ontem liminar ao Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná intimando o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau Público de Curitiba e Região Metropolitana (Sinditest) a exibir os documentos considerados necessários à negociação prévia para celebração do acordo coletivo de trabalho dos funcionários da fundação da Universidade Federal do Paraná para o Desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Cultura (Funpar) lotados no HC.

São eles: edital de convocação dos funcionários, ata de assembléia deliberativa com as reivindicações e a lista de presença com os nomes do funcionários e os nomes das pessoas que foram eleitas para integrar a mesa de negociação – deve obrigatoriamente ser composta por funcionários da Funpar lotados no HC. O sindicato tem cinco dias para apresentar os documentos sob pena de multa diária de R$ 500.

O diretor-geral do HC, Giovani Loddo, disse que espera o bom senso por parte da direção do Sinditest. Ele afirmou que assim que o sindicato apresentar a documentação necessária, as negociações começam de imediato. Loddo garantiu que os funcionários não sairão prejudicados e que a data-base da categoria continua garantida para 1.º de maio. “Caso realmente venha acontecer a greve, espero que as áreas de emergência sejam poupadas. Se houver risco de vida aos pacientes nossa única solução será a via judicial”, disse Loddo, destacando que o HC atende 2 mil pessoas mensalmente, além de 400 internamentos.

Irredutíveis

Funcionários da Funpar, em atividade no Hospital de Clínicas de Curitiba (HC), estão irredutíveis. Em assembléia realizada na manhã de ontem, eles confirmaram que vão entrar em greve por tempo indeterminado a partir da próxima terça-feira. A instituição também nomeou várias comissões de mobilização para agir durante a paralisação.

Os trabalhadores dizem que a Funpar não está se mostrando aberta a conversações e vem apresentando entraves burocráticos para negociar o acordo coletivo. Na última semana, integrantes da Funpar afirmaram que as negociações não estão acontecendo porque pessoas não ligadas ao HC, mas à maternidade Vítor Ferreira do Amaral, estariam compondo a comissão de negociação dos funcionários do hospital. “Temos duas pessoas da Vítor Ferreira do Amaral que estão atuando como observadoras na comissão. Não escolhemos os integrantes da mesa da Funpar e acreditamos que a Funpar também não tenha o direito de interferir na escolha dos integrantes de nossa mesa”, afirmou o presidente do Sinditest, Antônio Néris.

As principais reivindicações dos trabalhadores são: recomposição salarial de 18,75% (que corresponde a 100% do INPC de 2002), reajuste no vale alimentação de 26% (variação do INPC em 2002), pagamento de hora-extra em 100% e manutenção da carga horária de 30 horas semanais de trabalho. “Os funcionários também estão revoltados com a possibilidade de serem mandados embora e substituídos por pessoas que forem aprovadas em um concurso público que deve ser realizado pelo MEC ainda este ano. Pelo que se sabe, serão oferecidas 402 vagas para o HC. Os trabalhadores achavam que essas vagas seriam complementares, pois o hospital está com carência de pessoal, e não para contratação de substitutos”, informou a assessoria de imprensa do Sinditest. (colaborou Lawrence Manoel)