Brasília – O embaixador do Brasil na Itália, Itamar Franco, foi exonerado da função e, a 14 meses das eleições de 2006, deverá retornar à base eleitoral, Minas Gerais. Será sucedido pelo cônsul-geral do Brasil em Buenos Aires, Adhemar Bahadian, diplomata destacado, desde o início deste governo, como co-presidente das negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).

Bahadian tem vínculos fortes com o grupo do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e do secretário-geral do ministério, Samuel Pinheiro Guimarães. Nas negociações da Alca, o cônsul-geral do Brasil em Buenos Aires acentuou os atritos com o co-presidente norte-americano das negociações da Alca, embaixador Peter Algeyer, e levantou as travas que paralisam os entendimentos de meados de 2004.

O decreto de exoneração de Itamar, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi publicado na edição de ontem do Diário Oficial da União (DOU). Em dezembro, o embaixador do Brasil na Itália declarava o desejo de retornar ao País. No início de janeiro, tomou a iniciativa de apresentar, formalmente, a Lula o pedido para deixar o Palácio Pamphilj, o edifício histórico da Piazza Navona, onde está sediada a embaixada brasileira.

Itamar, porém, esperou a resposta ao requerimento com paciência e tentou destacar-se em dois episódios. O primeiro foi a morte do papa João Paulo II e a escolha do papa Bento XVI. O segundo, o desaparecimento do engenheiro João José Vasconcelos Júnior, seqüestrado em janeiro no Iraque. O embaixador do Brasil tentou, sem sucesso, coordenar as negociações com os seqüestradores. Até maio, o posto em Roma estava reservado para o embaixador Luiz Felipe Seixas Corrêa, chefe da missão do Brasil em Genebra, em caso da derrota dele para a direção-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC).