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Grupo invade fazenda e são atacados por pistoleiros

Um grupo de 400 índios guarani-caiová foi atacado por pistoleiros na manhã de hoje após invadir e montar acampamento em uma fazenda em Paranhos (469 km de Campo Grande), informou o Cimi (Conselho Indigenista Missionário).

Segundo as lideranças locais, um índio de 50 anos desapareceu após o ataque.

O grupo de guaranis-caiovás havia invadido a fazenda na madrugada de hoje. O ataque, segundo lideranças locais ouvidas pela reportagem e que não quiseram ter o nome divulgado, foi realizado por 20 pistoleiros, que chegaram ao local disparando as armas.

A maior parte dos índios acabou correndo para a mata. Após o grupo voltar a se reunir, as lideranças notaram que um dos índios, identificado como João Oliveira, que havia ficado para trás, não foi encontrado.

Os índios afirmam que a área originalmente era um tekoha (“território sagrado”) denominado Arroio Coral, e reivindicam sua devolução.

Segundo o Cimi, a área chegou a ser homologada pelo governo federal, mas o processo acabou sendo suspenso pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Enquanto isso, a região continua sendo ocupada por fazendeiros e reivindicada pelos índios.

No final da tarde, homens da Polícia Federal e da Força Nacional chegaram ao local para garantir a segurança dos índios e procurar pelo índio desaparecido.

Conflitos

Mato Grosso do Sul é palco de violentos conflitos envolvendo índios e fazendeiros, com registros regulares de ataques a acampamentos indígenas por pistoleiros.

Em novembro de 2011, um grupo de guaranis-caiovás foi atacado por pistoleiros em um acampamento na fazenda Nova Aurora, na divisa entre Aral Moreira e Ponta Porã, no sudoeste do Estado.

Durante o ataque, o índio Nísio Gomes, 59, desapareceu. Os índios afirmaram que ele foi morto pelos pistoleiros e que seu corpo foi levado em uma caminhonete. Inicialmente a Polícia Federal tratou o caso como desaparecimento, mas depois levantou a suspeita de homicídio.

As investigações apontaram que fazendeiros locais montaram um “consórcio” para contratar uma empresa de segurança privada de Dourados (MS) para expulsar os índios do acampamento.

Um total de 23 pessoas, entre elas fazendeiros, seguranças e um advogado, foram indiciados por suspeita de participação no crime.

Entre os suspeitos, 18 foram implicados em crimes como homicídio qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de testemunhas. Os nomes não foram divulgados porque o caso está sob segredo de Justiça.

Alguns dos suspeitos permanecem presos. Hoje, a Justiça Federal concedeu habeas corpus para mais dois suspeitos, um fazendeiro e um segurança.

O índio Nísio Gomes ainda não foi encontrado.

Desaparecimento

Em outubro de 2009, outro caso de desaparecimento foi registrado no município de Paranhos. Dois professores indígenas guaranis, Jenivaldo Vera e Rolindo Vera, desapareceram durante um ataque a um acampamento.

O corpo de Jenivaldo foi encontrado em novembro daquele anos, próximo da área do conflito. A perícia comprovou que a morte foi causada por um tiro nas costas. Rolindo Vera nunca foi encontrado.

Em janeiro de 2012, a Justiça Federal aceitou denúncia contra seis suspeitos –entre eles dois políticos locais, produtores rurais e comerciantes.

Os seis réus irão responder por homicídio qualificado, ocultação de cadáveres, disparo de arma de fogo e lesão corporal contra o idoso.

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