O governo federal ainda enfrentará dificuldade para conseguir aprovar matérias no Senado sem uma negociação que conte com a participação dos Estados, mesmo depois a absolvição do presidente do Senado, Renan Calheiros. Esta é a avaliação do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), que manifestou nesta quinta-feira (13) preocupação com a capacidade dos parlamentares examinarem matérias ainda este ano, incluindo a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

"É absolutamente fundamental que se abra um canal de interlocução, senão corre-se o risco de o governo não ter, ainda nesse período que nos resta até o final do ano, a CPMF aprovada de qualquer forma. Então é preciso que haja uma negociação, e nessa negociação os estados têm que participar", disse.

Em razão da crise instalada no Senado, conforme o governador, outras matérias também aguardam na fila para serem votadas. "Existe uma crise, existem outros processos que estão em curso, e eu temo que infelizmente vamos ter um ano absolutamente perdido de um mandato de quatro anos, 25% desse segundo mandato perdido no que diz respeito ao Congresso Nacional e votações importantes", avalia.

Reforma tributária

Na próxima quarta-feira, o governador mineiro se reunirá com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em Brasília, para discutir a proposta de reforma tributária que o governo federal pretende enviar ao Congresso Nacional nos próximos dias. Para o governador, em relação à reforma tributária não houve até o momento uma disposição efetiva do governo federal de enfrentar os contenciosos criados em alguns municípios e Estados que têm interesse em manter a guerra fiscal.

"Não vejo força no governo, hoje, ou disposição pessoal do próprio presidente da República de enfrentar esses contenciosos. Isso serve pra reforma tributária. Não se constrói uma nova proposta de reforma tributária sem que o governo assuma posições", disse.

Segundo ele, o ministro da Fazenda pretende ouvir a opinião dos governadores de Estado sobre as propostas formuladas pela equipe econômica. "Vou ouvir as propostas do governo. É preciso que qualquer reforma estrutural no nosso sistema tributário nos deixe com garantias claras de compensações do período onde determinadas perdas possam ocorrer", disse Aécio.