A ex-mulher do goleiro Bruno Fernandes, Dayanne Rodriques do Carmo Souza, disse à Polícia Civil mineira que quando o desaparecimento da ex-amante do jogador, Eliza Samudio, começou a ser investigado, Bruno se reuniu com a família e, aos prantos, disse que seria preso e que sua carreira havia acabado. Em audiência hoje no Fórum de Contagem-MG, ela confirmou a maior parte do depoimento à polícia e a autoria de uma carta enviada ao Ministério Público (MP) na qual afirmou que desconfiou da morte de Eliza e que temia que o bebê da vítima também fosse morto.

Segundo Dayanne, a reunião de Bruno com a família ocorreu após a polícia começar a investigar o desaparecimento de Eliza. A reunião, de acordo com ela, ocorreu na casa da avó do goleiro, que o criou. Poucos dias antes, Bruno havia encarregado a ex-mulher de cuidar do bebê de Eliza, que seria fruto do relacionamento dele com a ex-amante. Dayanne chegou a ser presa acusada de sequestrar a criança. Depois, revelou à polícia que havia deixado o bebê com amigos do goleiro, por ordem do braço direito do jogador, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão.

“Sempre que eu falava com Macarrão, ele dizia que não era nada grave. Mas eu comecei a desconfiar. A possibilidade de o bebê estar correndo risco de vida era muito grande”, disse, na carta enviada ao MP, cujo teor Dayanne confirmou à juíza Marixa Fabiane Lopes. E acrescentou que revelou onde o menino estava porque “temia o que podia acontecer com ele”.

Segundo a polícia e o Ministério Público, a criança seria o motivo do assassinato de Eliza, que travava uma disputa judicial com Bruno pelo reconhecimento da paternidade. Pelas investigações, ela teria sido morta a mando de Bruno pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, com ajuda de Macarrão de um primo do goleiro, de 17 anos. Eliza desapareceu no início de junho, mas seu corpo nunca foi encontrado e a defesa dos nove acusados do crime – inclusive a própria Dayanne – tenta negar o homicídio.

Além de Dayanne, a juíza Marixa Lopes pretende ouvir ainda Elenílson Vitor da Silva, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha, e Sérgio Rosa Sales, primo de Bruno. Todos estão presos acusados de envolvimento no crime.