O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, discursou nesta segunda-feira (5) exaltando a Organização das Nações Unidas (ONU) e, ao mesmo tempo, defendendo a sua reforma. Foi enfático, principalmente, na necessidade de reforma do Conselho de Segurança: "Já não é hora de seguir apenas debatendo. É preciso decidir.

O chanceler considera que "a inoperância do Conselho de Segurança ficou evidente na guerra do Iraque e no conflito no Líbano em 2006". Para ele, "tal como existe hoje, o Conselho é incapaz de articular uma visão equilibrada e inclusiva da ordem internacional, que reflita de forma satisfatória as percepções do mundo em desenvolvimento".

No discurso na II Conferência de Política Externa e Política Internacional, realizado no Itamaraty, no Rio, Amorim associou as críticas pontuais à forte defesa do multilateralismo, conceito associado à representatividade igualitária de todos os países nas Nações Unidas e na Organização Mundial do Comércio (OMC).

O chanceler também lembrou que "o presidente da França, Nicolas Sarkozy, recentemente falou da necessidade de ampliar logo tanto o G-8 (grupo dos oito países mais desenvolvidos) quanto o Conselho de Segurança da ONU para incluir novos países, entre os quais o Brasil". Segundo Amorim, "é difícil prever se haverá um G-11, G-12, G-13 ou outro G".

OMC

Ele classificou o atual momento de negociações na OMC como "crucial". Destacou a necessidade de os países em desenvolvimento se manterem coesos, mostrando, ao mesmo tempo, disposição de negociar. "Se bem-sucedidas, as negociações na OMC ajudarão a tirar milhões de pessoas da pobreza. Agricultores que não podem competir com os recursos milionários dos tesouros dos países ricos finalmente terão uma chance", afirmou, criticando os subsídios agrícolas, que, em outro momento, localizou principalmente nos Estados Unidos.

"Os subsídios que distorcem o comércio agrícola exportam fome e miséria. Os países desenvolvidos precisam reconhecer que essas questões não podem ser adiadas indefinidamente", disse. Na entrevista, viu possibilidade de um acordo da Rodada de Doha da OMC sobre subsídios à agricultura, acesso a mercados agrícolas e indústria sair ainda este ano.

Amorim defendeu também que o Conselho Econômico e Social da ONU, o Ecosoc, "deve recobrar seu papel de foro de deliberação e inspiração para outras agências e órgãos do sistema internacional, inclusive as chamadas instituições de Bretton Woods (o FMI e o Banco Mundial)". Ele comentou que no FMI e no Banco Mundial o peso dos votos é desigual (varia conforme o capital depositado pelos países) e não prevalece o princípio do multilateralismo que existe na ONU. "É claro que o Ecosoc não pode dar ordem para o FMI e o Banco Mundial.