Brasília – Com a notícia desde domingo de mortes misteriosas em São Sebastião, cidade-satélite a 35 quilômetros de Brasília, a auxiliar de serviços gerais Eunice Maria de Araújo não pensou duas vezes: foi à farmácia e comprou um par de máscaras cirúrgicas. Uma para usar durante o dia, na rua. E outra, para ficar em casa, com o marido. Em pânico pela falta de informações e sem dinheiro, Eunice passou a pedir que pessoas lhe doassem água mineral para beber. Para o banho, ela usa água fervida, acrescida de um pouco de álcool. “Não vou arriscar. A morte por essa doença vem rápido e se depender do serviço de saúde morro na sala de espera”, afirmou a auxiliar, que acaba de completar 24 anos. Com 85 mil habitantes, a cidade tem ainda sete pacientes em observação nos hospitais. Mas o número pode ser maior. “Tem gente que chega aqui desesperada, achando que vai morrer se não for atendida em 15 minutos”, conta o médico Eduardo Medeiros. Autoridades sanitárias ainda têm poucas informações para dar. Sabem apenas que a doença começa com dores no corpo, febre alta, falta de ar. As causas da morte dos quatro pacientes – todos jovens e até a doença com ótima saúde – também são distintas.