A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, afirmou nesta terça-feira (31) em Cuiabá que o governo federal "não recuou um único milímetro" na decisão de construir um terceiro aeroporto para São Paulo. Ela afirmou que o Palácio do Planalto não cedeu a pressões do governo José Serra (PSDB) e "está mantida" a busca de um local para abrigar o empreendimento.

Dilma falou sobre o caos aéreo pouco antes de o presidente Luiz Inácio lula da Silva abrir solenidade no Centro de Eventos do Pantanal, onde anunciou liberação de R$ 521,5 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para obras de saneamento no Mato Grosso.

Ela afirmou que suas relações com o ministro Nelson Jobim (Defesa) "estão perfeitamente harmoniosas". "Tenho certeza que o ministro Jobim está se cercando de todas as providências e de toda a estrutura que precisa para que a gente tenha uma solução consistente. Não se trata de marcar data da solução, mas de providenciar os elementos para solucionar o problema. Essa é uma questão que o governo atribuiu ao ministro, portanto a liderança dele nessa área passa também para que certos problemas sejam avaliados por ele.

A ministra declarou que continua em vigor a Resolução 006 do Conac, que prevê duas medidas. A primeira decisão, explica, é relativa à readequação e ampliação de aeroportos, ordem dada à Infraero. Outra ordem, dada para a Aeronáutica e para a Agência da Aviação Civil (Anac), é para estudos e levantamento "do sítio para um novo aeroporto. Esta decisão está mantida pelo Conac, até porque um processo desses, se queremos e sabemos que esse País vai crescer a taxas significativas, vai ter uma demanda sobre a malha aeroportuária muito acentuada.

Local

A ministra enfatizou que "ninguém abandonou esta visão de expansão". Ela destacou que "não é possível achar que se providencie um outro aeroporto da noite para o dia". Dilma acrescentou que os 90 dias anunciados em rede de TV pelo presidente Lula referem-se à apresentação dos locais em estudo. "Isso (o prazo) está mantido.

Dilma observou que a construção de um aeroporto implicará discussão sobre toda a estrutura, inclusive de escoamento. "Não é possível tornar iguais soluções diferentes. A solução de expansão de Guarulhos, de Viracopos e de Jundiaí é uma solução de curto prazo, considerando aí o horizonte do nosso mandato. A solução para um outro aeroporto é de mais médio prazo. Num governo você providencia as duas soluções. No Brasil há a tendência que se olhe o curto prazo e quando isso acontece não se tem condições de planejar o País, de tomar providências hoje para que governos futuros tenham instrumentais para execução das obras. Ao longo do tempo o Brasil perdeu a capacidade de planejar.