A advogada Mércia Mikie Nakashima foi jogada em seu Honda Fit na Represa Atibainha, em Nazaré Paulista, interior de São Paulo, uma hora depois de ser vista pela última vez, em Guarulhos, no fim da tarde de 23 de maio. A afirmação foi feita por um comerciante que pescava no reservatório naquele dia. Ele depôs ontem no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e, agora, integra o programa de proteção a testemunhas. Foi decretado segredo de Justiça no inquérito.

O comerciante pescava a cerca de 100 metros do ponto onde o carro da advogada fora retirado na quinta-feira passada. “Ele viu um carro descendo em velocidade normal com os faróis acesos e parou na beira da represa. Ele continuou pescando”, contou o delegado Antônio Olim, do DHPP. O comerciante ouviu, então, dois gritos de “ai”. Um homem de roupas escuras saiu pela porta do motorista e foi até a traseira. “O carro certamente deve ter sido empurrado e foi para a água. De 2 a 3 minutos depois o Fit afundou”, disse Olim.

O criminoso desapareceu. “Não apareceu nenhum carro e nenhuma pessoa para levá-lo.” Apesar da cena, o comerciante estendeu a pescaria até as 21 horas. Na sexta-feira seguinte, enquanto cortava o cabelo próximo da casa de Mércia, em Guarulhos, ele contou ao cabeleireiro o que vira. Os dois ligaram para o Disque-Denúncia e foram orientados a procurar o DHPP.

Com a repercussão do caso, o cabeleireiro procurou Makoto Nakashima, o pai da vítima. Dias depois, a testemunha acompanhou a família até a represa e mostrou onde viu o carro afundar. “Em momento algum, eles vieram nos avisar”, afirmou Olim. “Se ele tivesse sido trazido antes, estaríamos bem mais adiantados.” O corpo de Mércia foi encontrado na sexta-feira.

O delegado disse que a testemunha não tem como confirmar se o homem na represa era Mizael Bispo de Souza, de 40 anos, ex-namorado da advogada, o principal suspeito. Advogado e ex-PM, Bispo foi sócio de Mércia. Namoraram e, no ano passado, separaram-se. Desde então, ele tentava reatar o namoro.