O presidente do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina) e membro da Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes (ITF), tenente José Gomes de Alencar Sobrinho, foi detido hoje por quatro dias na sede do Cindacta-4 em Manaus por "burlar regras da Aeronáutica". Um colega de Alencar afirmou que sua detenção foi uma "tentativa de intimidar a categoria por um motivo que para outro militar seria apenas motivo banal de advertência".

Alencar disse que estava proibido de dar entrevistas pela Aeronáutica e não queria fazer nenhuma crítica a sua detenção. Ele afirmou que iria apenas contar o motivo alegado para a punição: há cerca de duas semanas faltou faltado dois dias consecutivos para acompanhar sua mulher em tratamento de saúde. "Não aceitaram a justificativa e resolveram me punir quatro dias de detenção, devo sair na segunda-feira", afirmou.

Alencar está detido em um alojamento no Cindacta-4. Cumpre seus horários normalmente e vai para o alojamento, em vez de voltar para casa. Segundo a comunicação social da Aeronáutica, a detenção é uma das punições a quem burla regras das Forças Armadas, que podem ir de advertência por escrito até a detenção, uma das punições máximas. De acordo com a assessoria, a detenção ocorreu porque há "precedentes" no caso do tenente.

O precedente seria o fato de ter sido um dos líderes na paralisação dos controladores de vôo no fim de março e, ainda se denominar como presidente de um sindicato – o que não é permitido nas Forças Armadas. À época, os controladores Carlos Trifilio e Wellington Rodrigues tiveram prisão decretada em junho por concederem entrevistas à imprensa sobre o trabalho da categoria. Ainda segundo a assessoria, os controladores detidos já foram soltos e, assim como Alencar, são alvos de investigação interna.