Gire a chave deste pequeno Ford, pise fundo e você nem vai se lembrar que está dirigindo um carro 1.0. O Fiesta Supercharger tem um desempenho impressionante para um carro 1000 cc. Acelera como a maioria dos carros 1.6 que temos no mercado e com a vantagem de um conjunto mecânico leve, mesmo com sistema de compressão no motor.

Com certeza, os mais desavisados quando olham o novo Fiesta na rua devem se perguntar: “Que carro é esse?”. Nada mais natural, já que o modelo não tem nada que lembre seu antecessor. Dotado de um desenho arrojado, estilo New Edge, com faróis trapezoidais e lanterna traseira vertical chegando até o teto, o Fiesta adota o “layout” que começou com o Ford Focus.

O novo Fiesta também tem dimensões maiores que o modelo antigo, parecendo mais robusto, graças aos pára-choques pintados na cor do veículo, além do capô curto e a grande área dos faróis deixarem o modelo com um aspecto dinâmico.

Ao entrar no Ford Fiesta Supercharger 1.0, tem-se a certeza de que você está num Ford. A identidade da marca está presente, e que se traduz num painel bonito e simples onde todos os instrumentos são de fácil leitura e estão ao alcance do motorista. O fundo do painel é branco com luzes verdes e as entradas de ar redondas lembram as do Ka. Porém, o acabamento interno deve merecer maior atenção da montadora e os bancos são um pouco duros.

Seu espaço interno é incrível, principalmente para as pernas dos ocupantes do banco de trás. Pessoas mais altas vão bem acomodadas atrás, sem aquela de ficarem sendo incomodadas pela curvatura da coluna C, como acontece em diversos compactos. A posição do motorista é mais alta e você tem a sensação de estar em uma minivan. Mas há ajuste de altura.

Ponto muito positivo é a alavanca de câmbio que está 95 mm mais longa se encaixando perfeitamente à mão, favorecendo as trocas de marcha. A linha 2004 do modelo 1.0 L Supercharger dispõe também de bolsas infláveis duplas, faróis de neblina, rodas de liga leve, espelhos retrovisores com comando elétrico, vidros elétricos traseiros e freios ABS.

O Fiesta Supercharger 1.0 chegou para brigar de verdade por um espaço maior, graças a seu excelente conjunto, “design” arrojado e inovador e tecnologia inédita em veículos de 1.000 cilindrada.

OLHO CLÍNICO

A grande novidade da versão 1.0 Supercharger do Fiesta, além de seu visual é, sem dúvida, seu motor de 95 cv de potência. Utilizado até então apenas em veículos de alto luxo, o Supercharger incorpora, basicamente, um compressor mecânico acionado por correia pelo virabrequim, que aumenta o rendimento volumétrico do motor.

Com isso, o Fiesta Supercharger não dá o “coice” tradicional dos veículos turbinados. Seu torque é progressivo e vigoroso, muitas vezes dando a impressão que o motor tem uma cilindrada maior. Ótimo para aqueles que querem mais desempenho e torque, principalmente no trânsito das grandes cidades.

Andar com o Fiesta Supercharger é muito agradável. Ele se mostrou o carro certo para o dia-a-dia da cidade. Nos trechos de subida, o veículo não decepcionou, deixando para trás automóveis mais potentes. O melhor do modelo é que ele tem performance de carro potente, mas consome como um 1.0. Para aqueles que precisam do Fiesta todos os dias, ajuda bem.

Sua quinta marcha é ótima, sem ser travada demais como nos carros 1.6, mantendo a elasticidade do motor. O escalonamento e as boas relações feitas pela engenharia da Ford tornaram o Fiesta Supercharger o 1.0 mais gostoso de dirigir.

Assim, até as 2.000 rotações, o Fiesta Supercharger exibe uma disposição bem contida – assim mesmo superior a dos carros com motores 1.0 16V aspirados. Só depois desta marca a esperada valentia do modelo começa a aparecer, ir evoluindo e “aflorar” realmente após os 4.000 rpm.

Com essa variação de “temperamento”, o ideal é fazer o Fiesta Supercharger funcionar sempre com o motor cheio. Assim, se supera a morosidade inicial e o modelo fica mais “arisco e rápido”.

Sua velocidade final, segundo a montadora do oval azul, é de 183 km/hora no velocímetro (real de 176 km/h). Atinge os 100 km/hora em pouco mais de 13 segundos.

Na cidade, ele faz uma média de 11 km/litro e na estrada chega a 14 km/litro (em um percurso de serra). É um compacto metido a carro médio, com ampla visibilidade e aceleração pra ninguém botar defeito, esteja ou não o ar-condicionado ligado. Enfim, o compacto Fiesta Supercharger enfrenta bem o dia-a-dia do conturbado trânsito das grandes cidades. Um carro 1.0 que anda como 1.6, sem auxílio de turbo.