A quantidade de resíduos de agrotóxicos nos alimentos vem sendo monitorada desde 2001 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Para isso, o órgão utiliza três laboratórios públicos. O gerente-geral de Toxicologia da Anvisa, Luis Cláudio Meirelles, disse hoje (5) que a agência pretende aumentar esse número.

Atualmente, as análises estão restritas a laboratórios de saúde pública no Paraná (Lacen), Minas Gerais (Fundação Ezequiel Dias) e São Paulo (Instituto Adolpho Lutz). Em cada amostra, os técnicos fazem uma busca por 92 diferentes tipos de substâncias agrotóxicas, inclusive as proibidas no país.

Por ano, são realizadas 1,5 mil análises que custam R$ 800 cada. De acordo com o gerente-geral de toxicologia da Anvisa, a idéia é ampliar esse número para pelo menos 10 mil. O custo para essa ampliação chegaria a R$ 10 milhões.

Meirelles participa esta semana da 38ª Reunião do Comitê sobre Resíduos e Pesticidas (CCPR), que integra fórum da Organização das Nações Unidas (ONU). Aos representantes de 159 países, ele apresenta o modelo brasileiro de monitoramento dos resíduos agrotóxicos nos alimento.

Esse monitoramento é feito em 16 estados, mas apenas para nove culturas: morango, alface, banana, batata, cenoura, laranja, maçã, mamão e tomate. De todas elas, o morango é a que apresenta maiores problemas de contaminação

"O que mais preocupa são os usos de agrotóxico não autorizados", revela o gerente-geral de Toxicologia da Anvisa. "A autorização para o uso é feita com base nos estudos toxicológicos, tanto de curto prazo, mas principalmente dos estudos crônicos que avaliam o risco de câncer ou de problemas de formação do feto durante a gravidez."