O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), foi um dos participantes da abertura do seminário organizado pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados e, para surpresa de alguns parlamentares da bancada ruralista e de representantes da iniciativa privada que estavam no auditório Nereu Ramos, fez um discurso em sintonia com as queixas dos produtores rurais. "Nós temos uma legislação social e ambiental muito dura, muito forte para os nossos agricultores". Apesar das dificuldades, disse o presidente da Câmara, a agricultura brasileira tem crescido nos últimos anos.

Mas, comentou, medidas "extremadas" são tomadas para conter o crescimento do agronegócio brasileiro. "Eu sou leigo no assunto mas eu quero discuti-lo um dia. Por que não podemos ter pecuária na Amazônia? Eu sinceramente não estou convencido que não podemos ter. Eu quero saber por quê", afirmou. Rebelo disse ainda que os "produtores de soja da Amazônia são tratados como criminosos". "São pessoas que vivem de seu suor, que trabalham e que geram empregos são tratados como criminosos", afirmou ele, aplaudido pelos participantes.

Segundo o presidente da Câmara, essas pessoas ainda enfrentam o desafio de transformar o Brasil num País produtivo. "Não podemos aceitar como patriotas, como cidadãos e como representantes do povo", completou ele, dizendo que a Câmara dos Deputados deve discutir a proteção da Amazônia, do meio ambiente e dos rios. Rebelo lembrou ainda de um movimento que tenta "impor a paralisia de obras" na região do Rio Madeira. "Quero saber se a Bolívia vai mandar no gás dela e nos rios do Brasil", questionou muito aplaudido. Essas obras, disse, oferecerão não só energia, mas milhas navegáveis de hidrovias na calha do Rio Madeira e também uma grande área para uso dos agricultores.

Rebelo também criticou as organizações não-governamentais. "Quando você tenta levar o progresso a algumas regiões, organizações não-governamentais vindas não sei de onde se interpõem diante de um estado brasileiro, das instituições brasileiras", comentou. Para ele, essa situação faz com os investidores públicos e privados fiquem "meses, anos negociando com o Ministério Público, com as organizações não-governamentais e com os bancos".