O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), disse hoje que espera que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conduza "com a firmeza necessária" a crise do setor aéreo, agravada após o motim dos controladores de tráfego, na última sexta-feira. Aécio porém, evitou criticar o presidente, afirmando que não pretende "aproveitar-me politicamente" do episódio. Ele atribuiu o caos no setor aéreo nacional ao "contingenciamento linear dos investimentos, onde a preocupação central era apenas o superávit primário".

"Não quero me aproveitar de uma crise que tenha afetado de forma tão profunda a vida de tantos brasileiros", disse, ao ser questionado sobre o gerenciamento da crise por Lula. "Não quero fazer disso um embate político, mas que está absolutamente claro que contingenciamentos que vieram sendo feitos no passado impediram a modernização do sistema, impediram a ampliação dos servidores do sistema, em especial dos controladores, isso está absolutamente claro".

Para o governador mineiro, faltou "seletividade" na economia do governo federal para o pagamento dos juros da dívida. "Hoje nós sofremos as conseqüências, repito, de vários anos sem investimentos que já eram demandados pelo setor e que foram contingenciados em benefício do superávit primário, o que se mostrou, a meu ver, equivocado", insistiu.

Aécio falou no plural ao comentar as soluções para a crise, destacando o papel do presidente. "Temos de trabalhar todos para que isso se resolva e eu espero que o presidente Lula possa conduzir isso com a firmeza necessária".

Entendimento

Sobre a possível instalação da CPI do Apagão Aéreo no Congresso, ele defendeu um entendimento entre governo e a oposição para que ela se limite "à investigação do que ocorreu no sistema e na busca de soluções para o seu aprimoramento, para o seu aperfeiçoamento".

"Não vejo que o governo deva considerá-la (a instalação da CPI) como um atentado contra a governabilidade, como eu percebo em algumas declarações de líderes governistas. A crise é séria e acho que há espaço para que haja um entendimento com as oposições", observou Aécio, após participar da solenidade de apresentação do projeto do Centro Administrativo de Minas Gerais em Belo Horizonte.