Pela primeira vez, um funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) assume o cargo de diretor-geral da instituição. Márcio Paulo Buzanelli tomou posse, nesta terça-feira, e disse que a escolha de um profissional de inteligência para a direção da Abin "evidencia, de forma inequívoca, a intenção do governo de homenagear a todos os integrantes da instituição, demonstrando a confiança que deposita em seus quadros".

O novo diretor substitui o delegado Mauro Marcelo de Lima e Silva, exonerado no dia 15 de julho, após publicação de uma nota em ele se referiu a parlamentares como "bestas feras" e à CPI dos Correios como "picadeiro". Era uma referência ao depoimento à comissão de um agente da Abin, Edgar Lange.

Sobre o trabalho da Abin, Buzanelli afirmou que a agência tem como objetivo principal a atividade de assessoria ao presidente da República. "A Abin não trabalha com pessoas, não investiga pessoas, não tem o poder de polícia, não prende ninguém. A Abin é um órgão de assessoramento do presidente", comentou.

Segundo currículo distribuído pela assessoria de imprensa durante a posse, Márcio Paulo Buzanelli é profissional de inteligência desde 1978. Atuou como analista e chefe das divisões de crime organizado e terrorismo. Representou a Abin no grupo de trabalho encarregado de elaborar, em 1997, uma proposta para o projeto que culminou na edição da lei que cria o Sistema Brasileiro de Inteligência e a Abin. Era, até agosto, diretor do Departamento de Inteligência da Abin.