O Paraná acaba de ganhar seu primeiro romance histórico regionalista. Trata-se do livro Cevando mate nos Campos Gerais, escrito pelo bancário aposentado e integrante do Instituto Históricos e Geográfico do Estado, Carlos Zatti.

A obra, que é a quinta escrita pelo autor, começa em 1850 e termina em 1930. Ela aborda acontecimentos importantes no Estado, como a emancipação política (o Paraná se desmembra da Província de São Paulo em 1853), o surgimento de algumas cidades, a chegada dos imigrantes e a abolição da escravatura (1888).

“O foco principal do livro é a vida campeira. Através da obra, mostro, por exemplo, como eram as tropeadas. Falo do dia-a-dia dos tropeiros, que saiam com seus cavalos e mulas do Rio Grande do Sul e iam até São Paulo”, conta Carlos. “Além disso, é o primeiro trabalho literário do Estado que utiliza termos regionais utilizados no passado.”

Entre os termos regionalistas, o autor utiliza um pouco do português arcaico e do português “acaipirado” antigamente falado entre os habitantes do Paraná. Entretanto, garante que os termos são de fácil compreensão.

“No passado, o Paraná ficava na divisória entre o que era falado no sul do país e o que era falado na região central. E era justamente o tropeirismo que fazia a ligação entre estas duas partes do País.”

O trabalho é voltado para o público adulto em geral. Porém, o autor explica que o livro pode ser útil principalmente a profissionais e estudantes da área de Letras. “A obra faz um resgate das tradições do Paraná, que em grande quantidade foram esquecidas pela população. Hoje, em minha opinião, não existe mais o paranismo (estado de espírito que denota admiração, defesa, exaltação e difusão da história, cultura, letras e artes do Paraná).”

Com um total de 189 páginas, o livro foi lançado pela editora do Instituto de Memória de Curitiba, que trabalha especificamente com temas regionalistas. Está à venda pelo valor de R$ 37,00, nas Livraria Curitiba e na livraria virtual da editora (www.institutomemoria.com.br).