Desde agosto de 2012, quando estreou o show do álbum Tudo Tanto, Tulipa Ruiz fez 120 apresentações em várias regiões do Brasil (desde Porto Alegre até Belém, quando participou do festival Se Rasgum) e em outros oito países. E, mesmo disponibilizando seu CD para download grátis no site oficial, atingiu 15 mil cópias vendidas. O resultado do trabalho de Tulipa é bem notável, mas não é disso que trata sua mais nova composição, Megalomania.

“Tudo começou numa brincadeira”, diz a cantora. “Estávamos em uma passagem de som e tinha um amplificador por perto, mas que não seria usado no show. O baterista perguntou ‘se eu usar esse amplificador aqui, é muita megalomania da minha parte?’. Aí todo mundo começou a tirar onda com ele por causa da palavra.”

A partir daí, a canção saiu naturalmente. No meio do ensaio, a banda começou a arriscar os acordes e a letra foi chegando à mente de Tulipa, que começou a pensar em uma pessoa, segundo ela, com o rei na barriga. “A brincadeira com a música ficou tão mais legal que eu nem lembro se, no fim, usamos ou não o amplificador.”

Classificada pela própria autora como um “pop dançante de verão”, a canção tem mesmo uma batida animada e lembra carnaval. Com um refrão simples e pegajoso, que diz “Isso é megalomania dele/ Megalomania dele/ Megalomania dele”, Tulipa fala sobre um cara que “Dá uma coisa, quer duas/ Pede uma coisa, quer outra/ Dá a mão e quer o cotovelo”.

Tocada para o público pela primeira vez em um show no Circo Voador, no Rio, no início de fevereiro, a música contagiou o público, que pediu repeteco na hora do bis. Na ocasião, o trio paulistano O Terno, que participava da apresentação, também cantou a faixa.

Em São Paulo, Megalomania será lançada em um show na quinta-feira, 13, no Cine Joia, e em três outras apresentações (com ingressos já esgotados e entrada sujeita a fila de espera) no teatro do Sesc Bom Retiro.

Tulipa leva a banda para o estúdio nesta quarta-feira, 12, à tarde, para fazer o registro da música. A ideia é disponibilizá-la para download em seu site oficial (www.tuliparuiz.com), assim como faz com seus discos, na semana anterior ao carnaval.

“Deu muita vontade de gravar essa música, colocá-la no repertório. Para mim, é uma música de verão. Quero apresentá-la nesse momento de calor, de pré-carnaval que a gente está agora”, conta. Para Tulipa, Megalomania é tão quente que depende do clima do show para entrar na set list. “Tem de ver como vai estar, como vai ser quando chegar o inverno”, ri.

Ao contrário do que se pode deduzir, a nova canção não sinaliza a chegada de um novo disco. A turnê de Tudo Tanto segue até o fim de 2014. Até lá, Tulipa diz querer viver intensamente o projeto, sem, ainda, se preocupar muito com o que vem pela frente. “Esta música é de entressafra, que tem a ver com o meu momento agora. O CD novo é ano que vem. Meu processo é assim: até o fim da turnê, eu só penso naquele disco. No dia seguinte, eu começo a refletir sobre o disco novo. Então, tudo que pinta de ideia, eu registro, mas presto pouca atenção.”

A tensão de lançar um novo disco, que vem com a responsabilidade de manter o sucesso dos anteriores, não abala a cantora. “Essa questão surgiu quando passei do Efêmera (seu primeiro álbum) para o Tudo Tanto, e hoje vejo que ela vai sempre existir”, brinca. “Mas não tenho medo. Se for prazeroso para mim e para a banda e se der vontade de levar as criações para o palco, tá valendo. Se eu não gostar de nada do que foi feito, eu não lanço. Esse compromisso com o que as pessoas vão achar do disco pronto é um pensamento perigoso. O artista deve esquecer dessa pergunta e fazer o disco com toda a gana possível.”

Passe Livre

Tulipa ainda não consegue mensurar as consequências de liberar sua arte para download grátis, mas diz que, até agora, os efeitos foram positivos. “O download alavancou as minhas vendas físicas e contribuiu para a distribuição dos meus discos”, diz. “Antes, o caminho até a música era mais reto, tinha de ir na loja comprar. Agora tem YouTube, TV… a busca pela música é híbrida e o artista deve cuidar de todos os perfis.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.