Petrônio Gontijo, Juan Alba,
Thierry Figueira e Carla.

O SBT estréia esta terça sua oitava adaptação de um texto mexicano. Mas Seus Olhos promete ter um grande diferencial. De todas, é a que está menos presa ao texto original mexicano. Fazer uma adaptação abrasileirada é conquista de David Grimberg, diretor de teledramaturgia do SBT, que sonha com uma produção totalmente nacional – algo ainda embarreirado por conta do contrato com a emissora mexicana Televisa. “Essa novela é o primeiro passo para isso. Já temos um público cativo para este tipo de folhetim, o dramalhão, mas uma história mais próxima da realidade brasileira pode prender ainda mais a atenção desse público”, acredita o diretor.

Em Seus Olhos, Ecila Pedroso, que fez quase todas as adaptações do SBT – só não trabalhou na primeira, Pícara Sonhadora, exibida em 2001 -, praticamente só usa o mote central da trama de Inés Rodena, uma das mais conhecidas autoras mexicanas. Nem a primeira fase da história faz parte do texto original. Dividida em três épocas, a novela começa na década de 80 e chega aos dias atuais. Na primeira fase, Marina, personagem de Carla Regina, tem um destino trágico ao se envolver com Vítor, de Petrônio Gontijo, que lhe omite o fato de ser casado. Quando a moça, doce e íntegra, descobre que foi enganada, termina o namoro com ele e cede às investidas de Tiago, vivido por Juan Alba. Os dois se casam e têm uma filha, mas Vítor estraga a felicidade do casal. Após dar um golpe na indústria em que trabalha, acaba assassinando o vice-presidente Sérgio, vivido por Carmo Dalla Vecchia, que descobre tudo. Vítor incrimina Tiago e diz a Marina que fez isso por amor a ela, deixando-a indignada. Durante a discussão passional, Vítor mata Marina. E novamente planta provas para culpar Tiago, que é condenado a 30 anos de prisão. “Achei interessante contar como começou o amor obsessivo do Vítor pela Marina. É a melhor forma de justificar o fato de ele se apaixonar por Renata, a filha dela, por conta da semelhança entre as duas”, explica Ecila Pedroso, que escreve a novela em parceria com Noemi Marinho.

Na terceira fase, Renata, a filha de Marina, é interpretada pela mesma Carla Regina. Por uma infeliz coincidência, a moça se apaixona por Artur, vivido por Thierry Figueira, que vem a ser filho de Vítor. Quando este conhece Renata, fica pasmo com a semelhança entre ela e Marina, o que faz com que a paixão do passado renasça. Esta é a primeira novela de Carla Regina no SBT, que está entusiasmada com a idéia de interpretar duas personagens. “Minha maior preocupação é mostrar bem a diferença entre uma e outra. A Marina é mais doce, enquanto a Renata é mais guerreira”, conta.

Assustador

Petrônio Gontijo faz o segundo trabalho na emissora em papéis totalmente opostos. Em Pícara Sonhadora, ele viveu o mocinho da trama ao lado de Bianca Rinaldi. “Sinto medo ao ler os capítulos. O Vítor é assustador”, exagera. Juan Alba, assim como Petrônio e Thierry Figueira, emplaca a segunda novela no SBT – atuou em Marisol, que tinha Bárbara Paz como protagonista. “Me sinto muito à vontade no SBT e vai ser interessante a experiência de interpretar o mesmo sujeito dos 20 aos 40 anos”, prevê. Já Thierry Figueira praticamente emendou Canavial de Paixões com Seus Olhos, mas desta vez na pele do mocinho. “Não foi o fato de ser protagonista o que mais pesou para eu aceitar. A equipe me agradou muito”, garante.

Fora toda a tumultuada história central, estão as tramas paralelas onde a realidade brasileira é inserida. A novela ambientada em São Paulo vai abordar a dura rotina dos catadores de papel. Também vai falar sobre o drama dos jogadores compulsivos e a preocupação das pessoas em adquirir uma boa forma física. “Quero modernizar a novela ao máximo com temas atuais. Soube através de pesquisas que 58% dos paulistanos praticam exercícios. O jogo também está em voga. Mas por causa da polêmica em torno dos bingos, vou usar o carteado”, adianta Ecila. Não é só no texto que a novela pretende ser mais moderna do que as anteriores. O diretor Jacques Lagoa conta que está investindo bastante em externas – já foram gravadas cenas no Parque do Ibirapuera e no Palácio do Cedro, por exemplo, – e um enquadramento de câmera mais ousado. “Queremos arriscar, mas sem cair do cavalo. Seus Olhos, além de uma história interessante, vai trazer para o público uma qualidade melhor”, garante o diretor.