Medo de ousar ela já provou que não tem. Aos 36 anos, Wanessa Godói Camargo Buaiz, mais conhecida como Wanessa Camargo, se tornou uma artista que busca se aventurar pelo mundo da música da forma que mais lhe dá vontade no momento. E é dessa forma que ela volta agora, olhando às suas origens, do pop dos anos 2000 que a fez conhecida, com sua nova música, Vou Lembrar, que vai ser lançada nesta sexta-feira (20). O projeto representa, para a cantora, a renovação que ela tanto buscou nestes anos todos.

Wanessa Camargo convidou, nesta quarta-feira (18), a imprensa para mostrar sua nova música e, ao mesmo tempo, falar dos novos ares. A música, que sai nesta semana, é a primeira de uma série que vai ser lançada todos os meses a partir de agora. Segundo a cantora, todos estes quase 20 anos de experiência a fizeram crescer. “O amor pela minha música não me deixa esquecer, por isso, eu vou lembrar de tudo o que eu passei e assim eu amadureço, como todos nós. É um amadurecimento mesmo”.

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Nesse novo projeto, Wanessa busca realmente retornar às suas origens e, ao mesmo tempo, procura revisitar um momento de muito valor que teve no começo, quando suas músicas eram bem tocadas e conquistava cada vez mais espaço. A cantora, que já foi tachada de ‘sem identidade musical’, por conta das constantes mudanças em seus projetos – já que foi do pop ao sertanejo, por exemplo – avalia que tudo foi necessário. “Acredito que eu tenho uma identidade sim, todo mundo tem a sua, como na vida. Nenhum ser humano tem a mesma digital. A minha digital é essa com muitas linhas, que se encontram, se curvam e seguem o meu sentimento, a minha vibe no momento. Eu nunca tive medo e nem receio de ousar, de tentar e de cantar de tudo”.

Wanessa, que chegou a fazer parte do ballet da dupla Zezé Di Camargo & Luciano (seu pai e seu tio, respectivamente) quando começou a carreira, disse que todos os anos lhe fizeram também buscar por várias fontes. “Eu sou uma pessoa que bebi da fonte do Jazz, do Ballet, cresci ouvindo moda sertaneja, tenho a essência sertaneja, tenho uma essência romântica, eu vi nascer os versos de ‘É o amor’ dentro de um apartamento de 50 metros quadrados. Então eu bebo de várias fontes. Morei e estudei nos Estados Unidos, então, eu não tenho receio disso, daquilo e tudo mais, de ser acusada de não ter identidade. Assim como é a digital de cada um, a minha é assim. As minhas linhas são várias e tem curvas lindas”.

A cantora disse acreditar que não exista música pura no Brasil, sem nenhuma mistura ou referência de outro gênero, por exemplo. “No país em que a miscigenação é a nossa maior característica, a mistura de ritmos, de ritos, de tons e sons acontece. Então é natural, por isso eu sigo nessa máxima”, explicou ela, reforçando que, em todo esse tempo de carreira, nunca ‘foi na onda’ do que faz sucesso e sim procurou se aventurar. “Eu não sigo a moda, eu entro na passarela da música. Gosto de desfilar em todos os sentidos, em todos os tons, de todos os jeitos. Esse desfilar na passarela da música é o que me deixa viva. Essa é a passarela que eu ando”.

Foto: Divulgação/Alexandre Pio.
Foto: Divulgação/Alexandre Pio.

Em 2016, nessa busca por aventuras musicais Wanessa entrou no sertanejo que sustenta até hoje seu pai e seu tio. Apesar disso, a cantora disse não gostar do rótulo que lhe foi dado. “Eu não passei pelo sertanejo. Eu particularmente não gosto de rótulo, foi como eu falei: no país em que a miscigenação é a nossa maior característica, não podemos rotular ninguém. Mas, dentro dos gêneros que se classificam, eu não fiz o sertanejo, eu fiz um romântico. E a minha essência é romântica, que pode ter uma pegada pop, pode ser inglês, de todas as maneiras, sons, tons, cores. Sou uma aquarela musical”.

Gênero musical, por sinal, é algo que a filha de Zezé Di Camargo disse gostar de falar. Apesar disso, como cantora Wanessa avalia não ter preconceito com a música e isso faz diferença. “Canto em todos os gêneros, em todos os sons, em todos os tons, para todos os gêneros, em todos os “gens” e pra isso é preciso ser muito gênio para entender o conceito que eu quero passar. Gosto de trocadilhos: a moda é a liberdade de gêneros”.

Se classificando como um gato, pelas sete vidas, Wanessa disse ter aproveitado tudo que aconteceu com ela, do sucesso aos acontecimentos negativos, para evoluir. “Me classifico como alguém que precisou passar por tudo isso para chegar neste amadurecimento que estou hoje. Neste meu novo trabalho, vocês vão sentir este amadurecimento, amadurecimento de uma mulher que tem, sim, esse lado felino, essa essência de que precisei passar pela Mulher Gato (uma de suas últimas músicas lançadas no ano passado), para dar um pulo e chegar nessa fase em que me encontro segura”.

Usando agora o sobrenome, a cantora foi bem enfática quando questionada sobre ter ‘abandonado’ o Camargo por um tempo. “Eu não perdi o sobrenome por algum tempo. Eu usei o Wanessa. O meu sobrenome está ali no meu registro, na minha alma, na minha certidão de nascimento, na minha carteira de identidade e no meu passaporte. Tenho todos os carimbos com meu sobrenome e que bom passar por tantos lugares, que bom trafegar por toda as tribos e gêneros”.

Foto: Reprodução/Instagram Wanessa Camargo.
Foto: Reprodução/Instagram Wanessa Camargo.

Sem medo de comparações

Nessa nova versão, Wanessa disse que já foi comparada à Anitta e gostou. “Eu gosto. Anitta é uma popstar e é uma menina que realmente eu vejo semelhanças minhas nela. Ela dança muito bem e, modéstia à parte, eu também danço. Ela canta muito bem, lembro da primeira vez que eu a vi: foi em um programa da Regina Casé ela cantando samba. Quando é alguém que está começando e vai em um programa que faz vários gêneros de música e, depois que ela estoura, as pessoas não lembram de como aquela menina começou. Eu acredito que a primeira aparição dela foi neste programa e foi cantando Alcione, se eu não me engano. Essa versatilidade musical é para poucos e bons”, explicou.

Junto com as comparações, Wanessa ainda respondeu também sobre a possibilidade de se unir a um nome que até hoje é visto com olhares duvidosos pelos fãs de ambos os lados: Sandy. Apesar de toda a comparação que existiu e, de certa forma ainda insiste em continuar, Wanessa disse que sempre teve respeito entre as duas. “Nunca teve uma competição, de a gente brigar e se odiar. O que fizeram com a gente era totalmente infundado”.

Em agosto do ano passado, a filha de Zezé Di Camargo quebrou ainda mais as barreiras da limitação imposta pelo público ao subir ao palco de Sandy e cantarem juntas. Agora, nessa nova fase, Wanessa Camargo afirma que existe uma grande possibilidade de unir as duas vozes. “Seria a parceria do século”, brincou a cantora, explicando já ter conversado com Sandy sobre o assunto, mas que está esperando a turnê Nossa História, comemorativa pelos 30 anos da dupla com Junior Lima, encerrar para ver o que será. “Já conversei com ela e a vontade de ambas existe. Mas teria que ser ‘a’ música, né?”.

Foto: Cesar Fonseca/Colaboração.
Foto: Cesar Fonseca/Colaboração.

Nova música, mais novidades

Para a turma do contra, que diz que Wanessa nada ‘conforme a maré’, a cantora disse que sua nova música foi feita justamente para mostrar o que ela busca agora. “É um single romântico, com uma pegada pop. Assim, da mesma forma, nasceu a Wanessa, com O Amor Não Deixa, então, vou lembrar. Vou Lembrar cada momento que eu passei nesses quase 20 anos”.

Assinada por Jason Deere, o produtor norte americano que fez O Amor Não Deixa, hit que lançou Wanessa no cenário e a posicionou tão bem no mercado musical, Vou Lembrar traz produção de César Lemos, com quem Wanessa coloca em frases e versos a letra para o português, junto com Marcinha Araújo. Vale ressaltar ainda que a co-produção da música foi feita por Paulo Jeveaux.

Recentemente, a cantora assinou com novo formato de gravadora, ligada no tempo e no mundo digital, a OneRPM. Com esse novo contrato, a artista promete um retorno cheio de surpresas, assim como sua formação musical. Este novo projeto vai ser apresentado em sete músicas que vão ser lançadas como singles mês a mês, como mercado pede. Todos terão clipes, o que nos leva a ver, ouvir e assistir – em sua melhor fase – a cantora, compositora, atriz, bailarina, mãe, mulher, filha de um dos maiores artistas do Brasil e, também dizer, neta do Francisco, aquele do filme, dos sonhos e da superação.

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