A Copa Sul-Minas-Rio está mais próxima de sair do papel. Representantes de 13 clubes assinaram o estatuto da competição e a ata de constituição e criaram, ontem de manhã, na sede do Flamengo, no Rio de Janeiro, a entidade que cuidará dos interesses do torneio. Há agora a dependência do aval da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para que o torneio interestadual possa ser inserido já em 2016 no calendário do futebol brasileiro. Se confirmada, a Sul-Minas-Rio será a terceira liga regional do futebol brasileiro, que já conta com a Copa do Nordeste e a Copa Verde.

No ano passado, diante do sucesso de público e de arrecadação da Copa do Nordeste e da Copa Verde, a Tribuna fez uma edição especial apontando as grandes vantagens que a competição regional trouxe aos grandes clubes no primeiro semestre diante da realidade deficitária dos campeonatos estaduais. Haverá, certamente, um ganho técnico, com a oportunidade de enfrentar grandes equipes do futebol nacional, além de potencializar a receita dos clubes com novos acordos e cotas de televisão e mais públicos nos estádios.

O diretor executivo do Coritiba, Maurício Andrade, que será o secretário da Sul-Minas-Rio, ressaltou a importância da criação do torneio para alavancar o primeiro semestre dos grandes clubes do futebol brasileiro. “São dois aspectos. Primeiro é a condição técnica que essa competição te proporciona no início da temporada, onde você consegue um nível de competitividade ao nível do Brasileiro, que vem logo na frente. Além do aspecto financeiro, onde se tem uma expectativa de arrecadação maior, mas isso ainda depende das negociações que serão feitas e elas ainda nem começaram”, contou Andrade.

O dirigente coxa-branca garantiu que a criação da entidade foi o primeiro passo dado para que a Copa Sul-Minas-Rio possa finalmente sair do papel. “Ainda não podemos dizer se a competição sairá já em 2016, pois depende de muita coisa ainda. Haverá a contratação de um executivo da liga para ir atrás das negociações junto as emissoras de televisão e para que haja também a formalização junto as federações. Não temos condições, hoje, de dizer quando será realizada a primeira edição, mas o primeiro foi dado com a formalização da instituição e é um passo importante para a continuidade”, acrescentou Andrade.

Antes, FPF era a favor

Em um primeiro momento, apenas dez clubes participarão da competição interestadual que, se instituída ainda em 2016, contará com apenas oito datas, a fim de não atrapalhar o andamento dos campeonatos estaduais. Coritiba, Atlético, Grêmio, Internacional, Figueirense, Criciúma, Atlético-MG, Cruzeiro, Flamengo e Fluminense disputariam a primeira edição da competição interestadual. Além deles, estiveram presentes representantes de Joinville, Chapecoense e Avaí.

Procurado pela Tribuna, o presidente da Federação Paranaense de Futebol (FPF), Hélio Cury, não quis comentar sobre o assunto e afirmou que até ontem nenhum documento oficial havia sido entregue à entidade. Apesar da postura intransigente de agora, Cury se manifestou bem diferente ano passado. “Tenho uma visão clara. Tudo que vem em benefício dos clubes e não venha a prejudicar o futebol paranaense eu sou a favor”, afirmou. Ele apenas pedia que o Estadual fosse um critério de inclusão dos clubes. “Com isso a gente consegue fortalecer o Campeonato Paranaense”, completou.

OPINIÃO

Ano passado, a Tribuna sugeriu: que tal uma copa regional em que os times paranaenses participassem? Reunimos as opiniões de especialistas, dirigentes de clubes e federações, avaliamos o sucesso da Copa do Nordeste e chegamos a uma conclusão que agora parece óbvia: valia a pena pensar no, assunto.

O texto que fechava a série de reportagens especiais dizia: “A única forma de os clubes diminuírem o impacto dos deficitários campeonatos estaduais é a união. Unidos, eles podem conquistar bem mais do que estão conseguindo. Basta que percebam que a rivalidade não pode entrar em uma mesa de negociação, e que a força que eles têm é maior do que das federações”.

A partir destas matérias, publicadas em 10 de junho do ano passado, a Tribuna adotou uma posição clara: somos favoráveis e estaremos ao lado dos clubes nessa iniciativa. É uma postura editorial. Como resumimos: “A liga regional é um caminho viável. Basta querer”.

Pois os clubes quiseram. E surgiu ontem a Liga Sul-Minas-Rio, formada por treze clubes, já esperando mais dois e com braços abertos para, em médio prazo, ser a base da liga que vai organizar o Campeonato Brasileiro. Como primeiro passo, uma competição curta, super atrativa, só com grandes jogos, no início da temporada.

Ela pode ser tranquilamente combinada com o calendário dos campeonatos estaduais. Dará aos clubes uma nova fonte de renda – com os direitos de transmissão, a venda das placas de publicidade, as bilheterias dos jogos. Permitirá uma preparação de nível superior. E, é bom lembrar, mudaria em nada a participação de Atlético e Coritiba no Paranaense. A dupla já começa a competição com o sub-23, faria o mesmo com a Sul-Minas-Rio.

Por isso somos favoráveis a esse projeto. Que nada mais é do que a reafirmação da nossa posição ano passado. Parabéns aos clubes, que eles tenham sucesso. Que em breve o Paraná se una a Coxa e Furacão. E que a CBF tenha a inteligência de não impedir esse avanço do futebol brasileiro.

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