No banco de reservas, o domínio é alemão. Das 32 seleções que disputam a Copa, cinco são dirigidas por técnicos alemães, da favorita ao título Alemanha, com Joachim Löw, à fraca e já eliminada equipe de Camarões (Volker Finke). Os técnicos argentinos não ficam atrás porque seus três representantes podem ir longe no Mundial com Argentina, Chile e Colômbia.

A lista das nacionalidades dos técnicos traz outras curiosidades: há três colombianos, três italianos, três portugueses e dois bósnios. E só um brasileiro: Felipão, num sinal de que nossos treinadores estão em baixa. Quando a federação de um país decide contratar um treinador estrangeiro para um Mundial, em geral, ela leva em consideração, além da familiaridade do idioma, a experiência em Copas do Mundo, sendo ela vencedora ou não.

O alemão Jürgen Klinsmann, técnico dos EUA, dirigiu a Alemanha em 2006. O italiano Fábio Capello, da Rússia, técnico mais velho do Mundial (68 anos), comandou a Inglaterra em 2010. O argentino José Pekerman, da Colômbia, treinou a seleção de seu país em 2006. Há exceções. Uma delas é o argentino Jorge Sampaoli, técnico do Chile. É a sua primeira Copa, mas o que o levou a dirigir a seleção foi o bom trabalho no Universidad de Chile. Outro ponto a favor: ele é admirador e discípulo de um outro argentino que dirigiu a seleção chilena na última Copa: Marcelo Bielsa. “Quanto Sampaoli é importante para a seleção? Muitíssimo”, disse o presidente da federação chilena Sergio Jadue, que garante sua permanência no cargo até a Copa América de 2015.

Podem existir semelhanças em termos de esquema tático ou da maneira como atuam as seleções dirigidas por treinadores de um mesmo país. Argentina, Chile e Colômbia, todas dirigidas por argentinos, são velozes e tocam a bola. “Fico contente que os técnicos argentinos sejam importantes. Todos trabalham bastante e merecem essa posição. É um reconhecimento para o futebol da Argentina”, disse Alejandro Sabella.

Freddy Mondragon, veterano goleiro colombiano, citou o trabalho de Pekerman como fundamental na campanha que trouxe a Colômbia de volta ao Mundial após 16 anos. Segundo ele, o treinador deu nova consciência tática. “A experiência dele elevou o futebol colombiano. Ele mudou a mentalidade, dentro e fora do campo.”

Pekerman disse que não sente estranhamento. “Fico à vontade, sinto-me colombiano.” Cesare Prandelli, da Itália, fala em “orgulho” ao citar seus dois colegas italianos. “É um orgulho representar a categoria junto com dois grandes profissionais como Capello (Rússia) e Zaccheroni (Japão).” Felipão é o único brasileiro, mas também falam português Paulo Bento (Portugal), Fernando Santos (Grécia) e Carlos Queiroz (Irã). (Colaboraram Luis Augusto Monaco e Gonçalo Junior)