A Confederação Brasileira de Vela já convocou sete atletas para os Jogos Olímpicos do Rio, mas ainda não garantiu que Robert Scheidt será o representante do País na classe Laser. O veterano ganhou todos os 16 confrontos diretos contra Bruno Fontes desde o início de 2013, mais ainda não foi oficialmente convocado. A disputa pode finalmente chegar ao fim no Campeonato Mundial da Classe Laser, que começa nesta quinta e vai até a próxima quarta-feira, no Lago Ontário, em Kingston (Canadá).

Apesar da ampla vantagem na corrida olímpica brasileira e da consistência dos resultados, Robert Scheidt tem regularmente batido na trave. Desde o título mundial de 2013, em Omã, ele ficou no “quase” em eventos importantes como o Mundial de Santander/2014 (quinto), o evento-teste do Rio (quarto) e etapas de Copa do Mundo (um nono, um quarto, um sexto e um terceiro lugares).

“O nível das disputas na Laser está muito alto hoje. Não há só um ou dois velejadores que se destacam, mas vários velejadores com potencial de chegar à vitória, o que torna as regatas bem mais acirradas”, avalia Scheidt, que passou os últimos meses treinando em casa (em Trentino, Itália) com seus principais rivais, entre franceses, croatas e australianos.

Buscando seu 11.º título mundial adulto só na classe Laser – ainda conquistou três na Star e um juvenil na Laser -, Scheidt teve dificuldades na fase de preparação. Ele precisou passar por uma cirurgia no joelho esquerdo em março e ficou de fora de duas competições importantes: o Troféu Princesa Sofia, em Palma de Maiorca (Espanha) a etapa de Weymouth (Inglaterra) da Copa do Mundo. Mas competiu em Hyères (França) e chegou ao pódio, em terceiro.

“Tive uma preparação diferente por causa da lesão e pulei a etapa de Palma de Maiorca. Também não disputei a etapa de Weymouth por estar muito próxima do Mundial. Preferi treinar mais e fortalecer a parte física. Estou muito bem preparado”, diz o veterano, de 42 anos.

Bruno Fontes poderia ter aproveitado para mostrar que merece continuar na disputa pela vaga olímpica, mas nesses três eventos somou um 16.º, um 28.º e um 36.º lugares. Apesar da má fase, o catarinense acredita que pode brigar pelo título mundial no Canadá.

“Minha expectativa é a de que o Mundial seja meu melhor campeonato no ano. Estou me sentindo bem e vou sonhando alto, querendo lutar pelo título. Quero uma medalha, algo que não tenho. Sei que vai ser um campeonato muito complicado, mas tenho de pensar grande”, diz Fontes. Ele vai disputar seu 17.º Mundial, mas só duas vezes chegou entre os 10 primeiros, com dois oitavos lugares – em 2013 e 2010.

O Mundial de Kingston terá 14 regatas, sendo duas por dia, sem medal race. Cada velejador pode descartar dois resultados. Além de Bruno Fontes e Robert Scheidt, o Brasil também será representado pelo carioca João Pedro de Oliveira. Scheidt, depois de disputar o Mundial, vai competir nos Jogos Pan-Americanos.