Bastaram cinco rodadas no Brasileirão para o Atlético revelar as deficiências que há muito tempo eram apontadas pelo torcedor e parte da imprensa. Algumas saltavam aos olhos, como o excesso de comprometimento de Geninho com alguns atletas que, apesar de não renderem em campo, sempre eram mantidos na equipe. Também a preparação física questionável e a falta de melhor qualidade no elenco tornaram-se fatos visíveis.

Outro problema mais sutil, mas que influencia no rendimento do time, é uma divisão entre o grupo dos garotos e dos atletas com mais tempo de clube, as famosas panelinhas.

De um lado os jogadores mais “antigos” de casa, de outro os que chegaram e subiram das categorias de base. A existência de um racha, no entanto, foi negada pelo presidente Marcos Malucelli durante a entrevista coletiva após a saída do treinador, ainda na noite de domingo na Baixada.

A falta de um diretor ou gerente de futebol também é um fator complicador para o clube. Não havia e não há no momento uma pessoa com a responsabilidade de gerir o futebol, que esteja no dia-a-dia e com larga experiência no mundo da bola.

Tanto é verdade que Geninho tinha que acumular funções. Além de treinar o grupo tinha que procurar reforços, entrar em contato com jogadores e dirigentes e até encaminhar as negociações para o fechamento dos contratos.

O lançamento prematuro de jovens valores não seguiu um planejamento adequado. E isso não por culpa do treinador. Por falta de opções, Geninho teve que fazer uso da garotada para criar condições para o Atlético evoluir em campo.

A supervalorização técnica do grupo – que conseguiu uma boa guinada no final do Brasileirão 2008 e teve participação razoável no Campeonato Paranaense deste ano, mesmo conquistando o título estadual também ajudou na decadência coletiva que culminou com a vergonhosa derrota no último domingo.

Aliado a tudo isso, certa incoerência na escalação de alguns jogadores apesar de o treinador alegar que colocava em campo somente quem estava melhor, independente de nome.

O excesso de mudanças na equipe não concedeu o necessário conjunto ao time, pois a cada semana havia uma nova escalação. Prova disso é que em cinco rodadas, 25 atletas foram testados no Atlético.

Mas não há dúvidas que Geninho fez o que pôde com o material que tinha disponível. Sai do clube, como ele mesmo disse, de cabeça erguida e portas abertas para um futuro retorno.

Diante de tantos problemas supõe-se que a diretoria tem grande responsabilidade na atual situação do clube. Porém, antes de crucificá-los, é valido lembrar que a gestão anterior, que vem sendo apontada por parte da torcida como a salvação para o Atlético, também cometeu diversos equívocos no departamento de futebol e que levaram o Furacão ao fundo do poço no campeonato passado. O clube foi salvo pelo próprio Marcos Malucelli que ao assumir a direção de futebol contratou Geninho e deu novo ânimo a equipe.