Preocupados com sua imagem, os maiores patrocinadores da Copa do Mundo colocam pressão sobre a Fifa para que solucione as polêmicas em relação à corrupção que assola a entidade. A reportagem obteve confirmação de diversos dirigentes da entidade que reconhecem que as grandes multinacionais têm pedido que os casos de corrupção sejam solucionados rapidamente.

Neste ano, a Fifa terá uma receita de mais de R$ 10 bilhões por conta da Copa do Mundo, a maior da história. Metade vem justamente dos grandes patrocinadores, como Adidas, Sony e Coca Cola.

Em uma declaração que revela o grau de preocupação, a gigante Adidas admitiu no último sábado que os escândalos estão criando uma imagem negativa para as multinacionais. “O tom negativo do debate público sobre Fifa não é nem bom para futebol e nem para a Fifa e nem para seus parceiros”, afirmou, em um comunicado.

Nos últimos dias, revelações sobre como cartolas da entidade estiveram envolvidos em troca de votos, negociações comerciais e outros escândalos envolvendo a Copa do Catar em 2022 voltaram a colocar a Fifa no centro de uma tormenta.

Em sua edição deste domingo, o jornal Estado de S. Paulo revela como o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira mantinha relações estreitas com Mohamed Bin Hammam, suspeito de ser o operador da propina do Catar.

Nesta segunda-feira, o investigador escolhido pela Fifa para apurar as denúncias relacionadas ao Catar, Michael Garcia, entrega em São Paulo seu informe para a entidade. Mas seu conteúdo apenas será conhecido em seis semanas, depois da Copa.

Para a Adidas, esse informe precisa dar respostas. “O relatório deve ser enviado ao Comitê de Ética da Fifa”, indicou a empresa. “Estamos confiantes que o assunto está sendo tratado como prioridade”, apontou. “A Adidas tem longo tempo de sucesso com a Fifa e queremos continuar isso”, completou.

A multinacional alemã fechou um acordo para continuar patrocinando a Fifa e as Copas do Mundo até 2030. Para 2014, a esperança é a de obter uma receita de US$ 2 bilhões graças ao Mundial no Brasil.