A perda recente de algumas promessas da base para o rival Athletico e outros clubes brasileiros foi uma das razões que motivou o Paraná a negociar investimentos em suas categorias de base com a empresa russa Total Sports (TSI).

O presidente Leonardo Oliveira apresentará os detalhes da oferta da TSI aos conselheiros do Tricolor em reunião na próxima terça-feira (18).

Em 2019, o Paraná acabou cedendo três de suas principais promessas da base para o Furacão, em troca do empréstimo dos meias João Pedro e Matheus Anos e do atacante Bruno Rodrigues para a Série B. Enquanto os rubro-negros vieram com “prazo de validade” ao Paraná, as promessas tricolores foram de forma definitiva para o CT do Caju.

O meia Raimar, com passagens pela seleção de base, o zagueiro João Viali e o meia Juan Makill, todos do time sub-17, estão no Athletico. O Tricolor manteve uma pequena parte, não revelada, dos direitos econômicos dos atletas. No site oficial do Furacão, por exemplo, Raimar tem em sua descrição: “Revelado no CT do Caju”, sem menção ao Paraná.

Recentemente, o Paraná ainda viu o jovem meia João Sorriso, de apenas 13 anos, trocar a Vila Olímpica pelo CT do Caju. O atleta era tido como potencial para principal revelação do Tricolor nos últimos anos.

Outro fato importante para o Paraná reavaliar a forma como conduz as categorias de base e buscar uma parceria foi a dificuldade em negociar o volante Jhonny Lucas por um valor satisfatório. Após novela de meses, o atleta acabou no modesto Sint-Truidense, da Bélgica.

Não é só o Athletico, por sinal, que obtém sucesso em adquirir precocemente atletas da base do Paraná que, em difícil situação financeira, se vê obrigado a negociá-los por baixos valores. O volante Gabriel Furtado, por exemplo, foi emprestado para a base do Palmeiras ainda em 2017. Além de já ter jogado nos profissionais do time paulista, recentemente esteve no Getafe, da Espanha. Hoje, aos 20 anos, defende o Vitória.

O zagueiro Willian, por sua vez, também foi emprestado ao Palmeiras, em 2017. Após três temporadas no clube paulista, retornou ao Paraná, mas apenas para ser vendido em 2019 para o Ittihad Kalba SC, dos Emirados Árabes, antes mesmo de estrear no Tricolor, que manteve 30% de seus direitos econômicos.

Ou seja, basicamente, o Paraná ambiciona fortalecer as categorias de base, para que possa lucrar com a venda de promessas sem depender de empréstimos para times de maior visibilidade, capazes de negociar estes atletas por valores superiores aos obtidos pelo próprio Tricolor no cenário atual.

Como os russos planejam investir

O foco principal do aporte financeiro seria nas categorias de base e na revitalização da Vila Olímpica do Boqueirão, que já abriga a base tricolor.

A TSI começaria por investir em campos de grama sintética no Boqueirão, assim como reforma de alojamentos, compra de equipamentos, reforma da academia, espaço de refeição e as demais necessidades para melhoria do espaço. O valor total do aporte, assim como tempo de contrato, é mantido em sigilo.

A contrapartida para os russos, por sua vez, seria justamente o lucro com a venda de possíveis revelações do Paraná.

Time profissional

A parceria também impactaria no time profissional. De dez a doze jogadores poderiam chegar caso o negócio seja fechado. As contratações já começariam no Campeonato Paranaense. Ex-gerente de Coritiba, Flamengo e outros clubes, Felipe Ximenes seria o diretor de futebol.

O Paraná, entretanto, manteria seu corpo de funcionários, assim como o gerente de futebol Alex Brasil. Sendo assim, o acordo é tratado no clube como uma parceria e não mais como uma terceirização completa.

Entrave inicial, a exigência da Justiça do Trabalho prevista no Ato Trabalhista de pagamento de R$ 2,3 milhões em salários atrasados foi resolvida da seguinte maneira: a TSI arcaria este valor na forma de um empréstimo que seria devolvido parceladamente pelo clube no decorrer dos meses. O Paraná deve atualmente os salários de dezembro e 13.º do ano passado, além da folha de janeiro deste ano.

Futuramente, até mesmo a equipe profissional poderia migrar do CT Ninho da Gralha, em Quatro Barras, para a Vila Olímpica. Vale lembrar que, em outubro de 2019, o Tricolor perdeu o Ninho para o ex-investidor Carlos Werner.

Em acordo na Justiça Estadual, o clube cedeu em definitivo o imóvel de 260 mil metros quadrados para Werner que, em troca, permitiu que o Paraná utilize o local sem pagar aluguel pelos próximos cinco anos.

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