Eto e Alexandre foram emprestados pelo
Criciúma e se apresentam hoje ao Paraná.

Enquanto o time se prepara para o jogo de vida ou morte contra o Rio Branco, domingo, às 16h, no Pinheirão, a diretoria paranista continua rebolando para buscar os reforços de emergência.

E hoje dois novos jogadores serão apresentados: o lateral-direito Eto, que também pode atuar pela esquerda, e o volante Alexandre, ambos do Criciúma. Eles vêm emprestados até o final do ano.

O vice-presidente de futebol do Tricolor, José Domingos, confirmou os nomes dos atletas no fim da tarde de ontem. “Estamos em entendimento e creio que amanhã (hoje) eles já possam treinar”. O dirigente confirmou que o clube também manteve conversas com o atacante Tico Mineiro, que cairia como uma luva diante das necessidades do time no setor ofensivo. Entretanto, Tico foi descartado por estar fora de forma. “Ele mostrou disposição para defender o Paraná, mas foi sincero ao dizer que não joga desde a partida entre Criciúma e Coritiba, pelo Brasileiro. E precisamos de soluções imediatas”, disse Domingos. E essas soluções imediatas estão bem difíceis de serem alcançadas, uma vez que todos os campeonatos estaduais estão em andamento e a diretoria não disponibiliza de capital suficiente para trazer um grande nome. “Continuamos tentando e tem um nome forte que está quase acertado. Mas temos que manter sigilo absoluto, pois não está sendo nada fácil encontrar nomes disponíveis”, desconversa Domingos. Nomes como Da Silva e Luciano Henrique, do Atlético de Sorocaba, não são confirmados.

A chegada dos reforços, especialmente de Eto, que pode jogar pela lateral-esquerda, chegam em ótima hora. Com as dispensas operadas na semana passada, o técnico Saulo de Freitas ficou com um elenco reduzido para a disputa dos jogos restantes da segunda fase. Para a lateral-esquerda, por exemplo, o treinador tinha apenas o prata-da-casa Anderson, que foi expulso contra o Atlético e não poderá atuar diante do Rio Branco. Para a função, o treinador teve que apelar para as categorias de base e convocar o júnior Rodrigo e o juvenil Marquinhos, que é meia mas já jogou imporvisado na lateral-esquerda pela equipe júnior. “Temos que apelar para o que temos. Mas estamos certos que até o final da semana teremos mais contratações”, disse o técnico Saulo.

Agora são outros tempos no clube

O que o goleiro Flávio, o zagueiro Gélson Baresi e o meia Jean Carlo têm em comum? Além de ser os atletas mais experientes do atual elenco, os três conheceram de perto o Paraná Clube no áureos anos 90, quando a equipe da Vila Capanema sagrou-se pentacampeã estadual e chegou a ser a única representante do futebol paranaense da primeira divisão, antes da dupla Atletiba retornar à elite, em 1996.

Por ter conhecido de perto o poderio tricolor, os jogadores lamentam a atual situação e desejam com mais força ainda ajudar o Paraná a recuperar o brilho do passado recente. “Eu nunca passei por uma situação tão difícil em toda a minha carreira e não imaginei que isso fosse acontecer no Paraná, que era o papa-títulos quando eu estava no Atlético”, diz Jean Carlo, que defendeu o Rubro-negro em meados dos anos 90, justamente no período em que o time da Baixada estava dando a volta por cima. “É surpreendente estarmos passando por isso, mas temos que acreditar enquanto houver chances. Quando estamos por baixo, a única coisa a fazer é nos levantarmos”, diz. O jogador ficou no banco no clássico contra o Atlético e mostrou-se um pouco incomodado com a situação. “Há que se respeitar o trabalho do treinador, mas estava me sentindo bem para jogar os 90 minutos. Mas não sou eu quem decide”, desconversa.

Já para o zagueiro Baresi, que vestiu a camisa do Coritiba em 98, o período difícil que o Paraná atravessa não é tão surpreendente pela aposta feita pela diretoria. “Havia a promessa de mesclar experiência e juventude, mas acabou não dando certo porque a base não foi mantida. E é complicado ter um time formado pela garotada se não tem uma base para segurar as pontas”, reconhece o beque, que teve a oportunidade de ser lançado no Flamengo quando a equipe tinha atletas experientes como Gilmar, Gotardo e Júnior. “Os pratas-da-casa têm que ser lançados aos poucos”. Apesar de consciente das dificuldades, o beque aposta na volta por cima. “A diretoria está tentando reforçar o time e ainda temos esperanças.”

O goleiro Flávio, que marcou história no Atlético e está no clube desde o Brasileirão do ano passado, também surpreende-se com a péssima campanha. “Depois de ficarmos em 10.º no campeonato brasileiro, ninguém imaginava uma campanha dessas”, diz.