O Paraná chegou a ter espetáculos semanais de Telecatch, em emissoras como TV Paraná, TV Paranaense e TV Iguaçu, festas municipais, circos e ginásios. Personagens como Metralha, Joia, Falcão, Big Boy e Brasão também eram muito conhecidos na capital e no interior. Cenário que contrasta com o atual, reduzido em eventos e praticantes, mas com abnegados que seguem em busca de reconquistar o espaço e o interesse perdido para outras modalidades.

 

Hoje os eventos de Telecatch no Estado são pontuais. Não há um calendário definido. Para convocar multidões, como antigamente, é necessário que a exibição se encaixe em grandes eventos, como a Festa da Uva, em Colombo, realizada em fevereiro. ‘Depois fizemos mais dois shows, mas foram shows pequenos’, conta Altair José Oliveira, 47 anos, praticante da modalidade que segue em atividade e é conhecido como Benhur.

 

Considerado principal defensor da prática em Curitiba na atualidade, Benhur conta que realizou sua primeira grande apresentação de Telecatch na edição de 1985 da Festa da Uva. O evento é um dos poucos que não deixaram de ter a Luta-Livre em seus roteiros, lamenta o lutador, pedindo que produtores esportivos e culturais voltem a olhar com mais atenção para a modalidade. ‘É sempre assim. Não tem verba. Quantos aniversários de cidade têm por final de semana? (O Telecatch) dá público, chama atenção’, considera ele, que ao lado do irmão, também lutador, adquiriu ringue e ônibus para tentar levar a modalidade até novos públicos.

Benhur é dono da única academia de Telecatch em Curitiba, localizada num sobrado situado no Capão Raso. O local chega a ser considerado uma espécie de QG dos lutadores. ‘Atualmente estamos em 18 competidores e cinco alunos’, conta o lutador, revelando ainda que antigos adeptos passam por lá para saber das novidades. Boa parte do grupo, porém, é formado por lutadores não tão antigos no ramo.

Cerca de dez dos atuais ‘Gladiadores do Ringue’ são de uma geração do Telecatch surgida a partir dos anos 2000. Entre eles Julhyan Sorely de Oliveira, filho único de Altair. Com 21 anos, ele atua com o nome Cyclone. Não esconde que pretende seguir a carreira do pai. ‘É a ideia’, conta o rapaz, que desde criança é treinado por Benhur para ser seu sucessor.

O cenário do QG de Telecatch apresenta aparelhos de musculação e um tatame, também utilizado para aulas de artes marciais como o Muay Thai e Kung Fu. Como decoração, uma galeria de fotos antigas mostrando lutadores e halterofilistas dos anos 1980. ‘Pra mim, foi a melhor época que teve. A gente fazia show todo final de semana’, recorda Benhur, sonhando com a possibilidade de volta dos bons tempos.

A trajetória do ídolo

Ted Boy Marino já foi capa de revistas, chegou a ser símbolo da juventude saudável, visto como imbatível pelos marmanjos e capaz de conquistar o coração de garotas e crianças. Esse italiano, considerado o principal nome já existente no Telecatch nacional, chegou ao Brasil em 1965 e começou na modalidade, pouco antes, na Argentina. Também foi halterofilista, o que lhe rendeu experiência e resistência para superar adversários. Por telefone falou à Tribuna.

Paraná Online – Quais as recordações tem do auge do Telecatch brasileiro?

Ted Boy Marino – O sucesso era impressionante. Pergunte ao seu tio, seu pai, sua mãe. Ainda era uma época de TV em preto e branco, e poucos aparelhos. Então o pessoal ia atrás de onde havia uma (tevê), para assistir. Até alguns prefeitos colocavam um televisor em praças para o pessoal assistir. Isso nas décadas de 60, 70 e 80.

Pron – E seu trabalho na TV?

TBM – Trabalhei nos Trapalhões. Todas as brigas que tinham, era eu que preparava o cenário. Eram lutas fantasia, com golpes pro pessoal não se machucar. Fui o fundador dos Trapalhões, em novembro de 1965 (na TV Excelsior). Depois a Globo comprou.

Pron – Como foi ser comparado a ídolos como Pelé e Eder Jofre?

TBM – Fui igualado a eles. Éramos os três maiores ídolos do esporte. Não é pra qualquer um.

Pron – Você era imbatível?

TBM – Nas lutas, você ganha, você perde. Faz parte. Mas eu era um cara que (por causa do halterofilismo) tinha um corpo privilegiado.

Pron– Quais seus ídolos?

TBM – Além de Martín Karadagián (ex-lutador de Catch na Argentina), tem El Santo (Rodolfo Guzmán Huerta), o ‘papa da lucha libre no mundo’.