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Afastado por deficiência técnica, o K9 sequer viajou para Belém, onde o Coxa estréia amanhã na Copa do Brasil.

A situação do atacante Keirrison começa a ficar mais complicada do que o esperado no Coritiba. De titular absoluto e ídolo, o jogador não fica nem na reserva contra a Tuna Luso e o afastamento, segundo o técnico Dorival Júnior, acontece por deficiência técnica.

Tudo isso ao mesmo tempo em que ele supostamente enfrenta problemas particulares, uma briga jurídica pelos direitos econômicos e propostas para rumar para o futebol paulista.

No meio do turbilhão, ele tem evitado falar com a imprensa e vê o prestígio indo embora junto com o futebol que tanto encantou os torcedores no ano passado.

?As últimas apresentações não vêm condizendo com o potencial dele. Tudo o que nós já pensamos para dar a melhor condição a ele já foi feito e agora temos que tentar de uma outra forma?, explica Júnior. E essa forma é deixá-lo treinando junto com aqueles que não vêm sendo aproveitados nos jogos. ?Vamos tentar dar a melhor condição possível, pensar em todos os sentidos para ver se conseguimos resgatar aquilo que ele tem de melhor. Porque nas últimas seis, sete apresentações o Keirrison foi bem abaixo daquilo que ele pode jogar e isso é notório, é visível. Não podemos ficar somente observando?, aponta o treinador.

Como o jogador não tem dado entrevistas, a reportagem entrou em contato com um dos representantes do atleta, Marquinhos Malaquias.

De acordo com o empresário, que ficou sabendo do afastamento do atleta durante o almoço, não há nada de errado a não ser a má fase. Já sobre uma transferência para Palmeiras, vendido para a parceira Traffic, ou São Paulo, numa possível troca por Borges, não passa de especulação.

?É mentira. Não existe a mínima possibilidade?, garante. Desde a semana passada, K9 tem evitado a imprensa e o motivo seria problemas particulares.

Já para a diretoria, a questão Keirrison também é apenas técnica e uma vontade do treinador e que não há negociações em curso. ?Não tem nada disso. Desconheço qualquer assunto sobre isso?, diz Tonico Xavier, coordenador de futebol alviverde. No entanto, uma saída agora seria a forma do clube faturar com a formação do jogador. Hoje em dia, esse valor está em R$ 2,08 milhões, 20% do total, mas em maio (devido ao contrato que entra no último ano), Keirrison poderia ir embora pagando apenas R$ 416 mil, já que o restante pertence aos procuradores.

Time – A derrota do Coritiba para o Paraná fez as suas vítimas. Além do atacante Keirrison, o volante Rodrigo Mancha e o lateral-direito Gilberto Flores foram para a reserva e Henrique Dias ainda corre o risco de também sentar no banco. Certos mesmos, a estréia do zagueiro Maurício, a entrada de Léo e a volta do volante Veiga ao time titular.

A dúvida para o confronto contra a Tuna Luso fica por conta do aproveitamento de Dias no ataque ou Matheus na ala direita com Marlos na linha ofensiva.

Apito – O confronto contra os paraenses está programado para as 21h30 (hora de Brasília) e terá Washington José Alves de Souza no comando com a assistência de Gilbert Ferreira Costa e Luís Cláudio Rodrigues da Costa. O trio está vinculado à Federação de Futebol do Amazonas.

Torcida quer respostas

Dois clássicos perdidos, um time sem padrão tático e atuações abaixo do esperado de vários jogadores estão levando a Império Alviverde a pedir uma reunião com a diretoria do Coritiba. A principal organizada do Coxa quer saber o que está acontecendo e se as promessas de campanha serão cumpridas ou só valiam para as eleições que aconteceram em dezembro. ?Em princípio, queremos falar com o presidente (Jair Cirino dos Santos) e mais uma ou duas pessoas que mandam no clube. Queremos saber quem está à frente do futebol?, revela Luís Fernando Corrêa, o Papagaio, presidente da entidade.

Segundo ele, além das derrotas para Atlético e Paraná, o Coritiba ainda foi ?humilhado? pelo J. Malucelli em pleno Couto Pereira. ?Estou indignado com a situação. Ouvi várias propostas de campanha, eles estão há 40 dias lá e até agora nada. O presidente falou que seríamos campeões paranaense e conquistaríamos uma vaga para a Copa Libertadores?, disparou Corrêa. Como o futebol não está sendo o esperado, a bronca é grande e o descontentamento maior ainda. ?O que a gente procura com isso é encontrar soluções?, aponta.

Para Corrêa, o que a Império não quer é repetir 2005. ?Na décima rodada, apenas alertamos a diretoria, procuramos apoiar a equipe e caímos. Vou passar para eles que o Giovani Gionédis foi bicampeão estadual, levou o time para a Libertadores e saiu pela porta dos fundos?, compara. Por isso, ele quer o encontro e espera que junto com o presidente estejam Ricardo Gomyde e Tonico Xavier, que vêm respondendo pelo futebol. ?A torcida quer saber o que está acontecendo?, finaliza.

Por enquanto, a proposta do encontro na quinta ou na sexta-feira vai ser levada à direção, que irá estudar o assunto. No entanto, se a reunião não acontecer, a Império deverá protestar nas arquibancadas a partir do próximo jogo no Alto da Glória.

Dorival preocupado com títulos

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Técnico alviverde garante que não vai mais ?chorar?.

Dois clássicos perdidos, mau futebol e os protestos da torcida do Coritiba começam a pesar sobre o técnico Dorival Júnior. ?A pressão é colocada sempre de fora para dentro. Infelizmente, as pessoas no Brasil não têm paciência para que um trabalho possa ir caminhando degrau a degrau. Nós sabemos aquilo que iríamos enfrentar, já conhecíamos, já sabíamos todo esse movimento que haveria?, aponta. Para ele, a remontagem de um time campeão leva tempo e é esse o maior problema do Alviverde. ?Você não ganha aquele padrão da noite para o dia?, reitera.

Mesmo assim, ele garante que não vai ficar ?chorando? mais. ?Vamos trabalhar e dentro de pouco tempo essa equipe vai ter o padrão que todos nós queremos?, promete.
Como exemplo, ele cita o arqui-rival Atlético.
?O Ney (Franco) já pegou um trabalho em andamento, conseguiu com a sua condição estabilizar o grupo e logicamente que agora está tirando os resultados de tudo isso?, destaca. Mesmo com essas explicações, o treinador está incomodado como seu trabalho vem sendo noticiado na Tribuna. Para ele, as chamadas e os títulos estariam sendo dados com ?maldade? e por pessoas ?mal-intencionadas?.

Enquanto Júnior pensa assim, a torcida cobra da diretoria, que começa a se mobilizar para exigir mais da comissão técnica e dos jogadores. A contrapartida vem com a busca por reforços, que estão difíceis de serem contratados devido ao mercado restrito. ?Estamos conversando com alguns empresários, estamos vendo algumas posições, mas até o momento não temos nada?, diz o coordenador de futebol Tonico Xavier.

Nota da Redação

Os títulos da Tribuna relatam apenas a realidade e não pretendem, de maneira nenhuma, denegrir o trabalho de um profissional. Nossa preocupação é apenas mostrar a situação atual do time.

Tuna faz 2.º jogo do ano

Pode parecer estranho, mas somente no domingo a Tuna Luso estreou em 2008. No desorganizado futebol brasileiro, começar a jogar em fevereiro poderia ser sinônimo de tempo para a pré-temporada, mas isso não é verdade. Com a interdição de todos os estádios do Pará, com exceção do Mangueirão, o Campeonato Paraense começou com atraso e a equipe de Belém não passou de um 0 a 0 com o Tiradentes já no liberado Estádio Souza. O resultado não agradou o técnico Carlos Lucena, que já adiantou que irá mexer na equipe para enfrentar o Coritiba. Para o treinador, o trabalho ainda está no começo e a equipe ainda tem muito a melhorar com o decorrer dos jogos. No elenco, a Tuna tem, pelo menos no nome, jogadores conhecidos, como Hugo De Leon e Pelezinho. Os dois, assim como a maior parte do elenco, são jovens promessas do futebol paraense.