Keirrison foi procurar consolo nos braços da mãe, Alzira, após ser duramente hostilizado pela torcida palmeirense no jogo contra o Vitória, domingo, no Palestra Itália.O atacante passou a segunda-feira em Curitiba, tentando esquecer as vaias de torcedores que não veem nele o perfil de jogador raçudo que tanto desejam.

“É claro que ele ficou chateado”, disse o empresário Marcos Malaquias, que trabalha com Keirrison há quatro anos, desde que ele tinha apenas 16 anos de idade. “Ele veio para Curitiba para passar o dia com a família e tentar encontrar forças para continuar fazendo o que sabe fazer, que é trabalhar.”

Keirrison já havia sido vaiado em alguns jogos no Palestra Itália, mas não com tanta intensidade quanto no momento em que foi substituído pelo meia Deyvid Sacconi, aos 26 minutos do segundo tempo, quando o Palmeiras ainda empatava com o Vitória por 1 a 1 – o gol da virada saiu nos acréscimos e o autor, o zagueiro Maurício Ramos, correu para prestar solidariedade a Keirrison e também ao técnico Vanderlei Luxemburgo no banco de reservas.

“Keirrison ficou bastante chateado, mas nós tratamos de conversar com ele no vestiário. Ele não é qualquer jogador. É o artilheiro do time no ano e nos ajudou em muitos jogos na temporada”, disse Maurício Ramos, ao justificar seu gesto na comemoração do gol.

O discurso da diretoria palmeirense ainda é o de segurar Keirrison até julho do ano que vem, quando a crise financeira mundial já deverá ter acabado – na expectativa do economista e presidente do clube, Luiz Gonzaga Belluzzo. Mas, na prática, a postura é outra.

A Traffic já percebeu que a maré não é boa para seu principal investimento no ano (R$ 8 milhões). O sonho de faturar 25 milhões de euros (algo em torno de R$ 68 milhões) com ele é passado. A realidade é mais modesta.

“Se conseguirmos 15 milhões de euros (R$ 41 milhões) estará de bom tamanho”, disse Marcos Malaquias. “A Traffic tem 67 jogadores e o Keirrison é um dos principais. É claro que não vamos ficar aqui esperando uma proposta de pernas cruzadas. Temos um departamento de vendas muito ativo e que está em contato com diversos clubes constantemente”, afirma Julio Mariz, executivo da parceira palmeirense. “Nosso representante na Europa (o alemão Jochen Lösch) conversou com a Juventus e outros oito clubes só na Itália. Mas garanto que, por enquanto, não houve proposta concreta.”