Washington César Santos, o Washington do Casal 20, que morreu ontem aos 54 anos em Curitiba, não foi apenas um centroavante. Ele foi um ídolo, daqueles de verdade, de um tempo em que o futebol paranaense era mais periférico do que era hoje. Foi brilhante com a camisa do Atlético, e chegou à seleção brasileira atuando pelo Fluminense. A história, entretanto, conta uma trajetória acidentada até a explosão com a camisa rubro-negra.

Washington surgiu no Galícia, clube da colônia espanhola em Salvador. Conseguiu a proeza de ser chamado para a seleção que disputaria o Torneio de Toulon jogando lá – um pouco pela ajuda do velho Aymoré Moreira, seu treinador. Mas o talento do centroavante foi comparado a outro jogador grandalhão, que parecia desengonçado mas que era talentoso, um tal de Sócrates.

E Washington foi parar no Corinthians, como um possível parceiro ideal para o Doutor. Ele não jogou bem em São Paulo, e acabou virando moeda de troca. Em uma transação de vários jogadores, Washington foi atuar no Internacional. Lá também não rendeu, mas a passagem por Porto Alegre serviu para conhecer Assis – esse sim o parceiro ideal. O meia tinha chegado ao Beira-Rio da mesma forma que Washington, em uma negociação que envolvia um monte de jogadores. E os dois entraram em outra transação logo depois, em 1982. Trocados pelo lateral Augusto, do Atlético.

A reação foi ruim em Curitiba.

Mas no Paranaense de 82 Assis e Washington resolveram detonar. Furacão campeão estadual com léguas de frente para os rivais e conquista confirmada num 4×0 sobre o Colorado. O ano seguinte seria da consagração nacional.

Já ídolos de um time com outros craques como Nivaldo, Roberto Costa e Capitão, Washington e Assis lideraram um dos maiores times do Atlético em sua história. Foram eliminando quem aparecia pela frente, e não fosse o Flamengo de Zico e aquele time teria conquistado a Taça de Ouro. Mas o camisa 9 do Furacão deixou sua marca, principalmente naquele 2×0 sobre o Fla no Couto Pereira, recorde de público do nosso futebol. O honroso terceiro lugar deixou o gosto de quero mais.

Arquivo
Washington e seu parceiro Assis brilharam com a camisa do Atlético.

Foi impossível segurar a dupla em Curitiba. No Fluminense, veio a fama e vieram títulos, três estaduais e o Brasileiro de 84, que eles não conseguiram no Rubro-Negro. Por conta do seriado de TV, viraram definitivamente o Casal 20 que “liderava a audiência” da torcida tricolor. Ambos chegaram à seleção brasileira com Edu Coimbra em 1984 – mas Washington foi convocado mais vezes, tendo no currículo uma medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis.

Depois de sair do Flu, Washington rodou alguns clubes, chegou a jogar em Foz do Iguaçu, e voltou ao Atlético em 1991. Passagem rápida, mas suficiente para um gol decisivo numa vitória sobre o Paraná Clube. Depois, vem a parte triste – a doença (ver abaixo), as dificuldades, a dor da perda ontem. Mas o que fica é o artilheiro, o camisa 9 que fez o torcedor atleticano sorrir. Esse é o Washington que fica pra sempre.

Despedida

O ex-jogador era casado há mais de 35 anos e tinha dois filhos. Washington era de Valença, na Bahia, e a família acredita que o enterro seja lá.