A justiça uruguaia confirmou o congelamento dos bens e créditos do empresário Francisco “Paco” Casal e de empresários ligados aos seus negócios. Casal é acusado sonegar o pagamento de US$ 25 milhões ao fisco uruguaio sobre valores relativos a transferências de jogadores de futebol.

O polêmico empresário, que se autoproclamou “o homem mais rico do Uruguai”, representa diversos atletas sul-americanos que atuam na Europa e é proprietário, ao lado dos ex-jogadores Enzo Francescoli e Nelson Gutiérrez, da empresa que possui os direitos de transmissão do futebol, da seleção uruguaia, do basquete e do carnaval no país.

A juíza uruguaia Loreley Opetti concluiu que o Grupo Casal utilizou empresas do Panamá “que são proprietárias apenas dos direitos econômicos de jogadores, com uma finalidade que não foi explicada”.

Por isso, a juíza afirma que “está autorizada pela lei a supor que a intenção é obter maiores benefícios fiscais em violação ao principio de igualdade dos contribuintes perante a lei”.

A Direção Geral Impositiva (DGI), instituição responsável pela coleta de impostos no país, apresentou hoje uma denúncia penal contra o empresário e pretende elevar o valor exigido de Casal para US$ 104 milhões, através de novos cálculos para estimar o que teria sido sonegado.

O congelamento de bens inclui créditos atuais e futuros, o que pode prejudicar as transferências de jogadores representados por Casal.

Considerado o “dono” do futebol uruguaio, “Paco” Casal é, inclusive, apontado como um dos envolvidos no escândalo “Calciopoli”, que levou a Juventus de Turim para a Série B.

O dirigente da equipe italiana, Luciano Moggi, que na época controlava secretamente as contratações de diversas equipes do país através da empresa Gea, teria pedido ajuda ao empresário uruguaio para forçar a transferência do zagueiro Fabio Cannavaro, da Internazionale de Milão, para a Juve.p