O Coritiba entra em campo esta noite para a partida mais importante do campeonato brasileiro até agora. E esse jogo será “fora de casa”, e fora de campo. A partir das 18h, na sede do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, será julgado o recurso do caso Ataliba, que tirou seis pontos do clube na semana passada.

É uma “partida” complicada. A tendência do julgamento é de manutenção da pena imposta pela 1.ª Comissão Disciplinar, que não teve dúvidas ao usar apenas a prova fundamental do caso – a não-presença do nome de Ataliba no BID (Boletim Informativo Diário). Os documentos recolhidos pelo Cori não foram sequer analisados. Para os auditores, a idéia era simples: não está no BID, não pode jogar.

Apesar disso, é partindo desses documentos que residem as esperanças alviverdes e de seus advogados, Fernando Barrionuevo e o vice-presidente Domingos Moro. Foi montado um novo dossiê, com os registros dos contratos de Ataliba, que reapareceram na CBF após o julgamento de terça passada. “Essa era uma documentação a que nós não tivemos acesso, e que prova o conhecimento da CBF dos contratos do jogador”, explica o dirigente.

Mesmo assim, a estratégia coxa é jogar na ?retranca?. Não se viu nenhuma manifestação de otimismo, e na mesma medida não se ouviram críticas ao STJD. Tanto que nem se tentou o adiamento do julgamento – para muitos, uma posição clara de apoio às decisões de Luiz Zveiter. Outro posicionamento repetido é o do presidente Giovani Gionédis, que garante que o Coritiba não partirá para a Justiça Comum.

Enquanto faz poucos movimentos visíveis, o departamento jurídico do Cori trabalhou muito nas sombras. Tentou, desde o julgamento de terça, encontrar provas e buscar evidências em outros casos. E a mais rumorosa foi a associação com o caso do Atlético, que acabou sendo adiado. Foi uma estratégia de defesa que só será reconhecida como acertada depois do veredito do caso Ataliba ser anunciado.

Brum e Lopes ainda longe da paz

Há um jogador no elenco do Coritiba que, na verdade, não está no elenco do Coritiba. Até dois meses atrás, Roberto Brum era um dos líderes do grupo, titular absoluto e ídolo da torcida. Depois de brigar com o técnico Antônio Lopes, ele ficou relegado ao ostracismo, tanto que alguns chegam a pensar que ele nem está mais no Alto da Glória.

Mas ele está no clube, sim. Só que afastado completamente dos treinos do time principal. No máximo, ele participa de prosaicas corridas com os jogadores que estão no departamento médico – ontem, o “Senador” estava ao lado de Luís Mário, Adriano e Rodrigo Batatinha, que fazem trabalhos em separado. Por sinal, esta é a palavra que resume o atual estágio de Brum: separado.

Às vezes, acontece de o volante chegar mais tarde ao CT da Graciosa para não criar constrangimentos. Dessa forma, Roberto Brum vai se afastando ainda mais dos companheiros, já que acaba pouco interangido com eles. A contrapartida é o carinho dos jogadores das categorias fundamentais, que fazem o papel de tietes.

As tentativas feitas para fazer as pazes entre o volante e Lopes deram n?água. O treinador até admite reintegrá-lo, desde que ele peça desculpas ao elenco. Pelo que se vê, Brum não está disposto a se desculpar. No jantar comemorativo ao bicampeonato, tentou-se criar uma situação (ver matéria), mas não houve jeito. “Eu não quero que o que eu falo passe como um pedido de desculpas, porque todos nós erramos. Eu erro, o Lopes também erra”, afirmou.

Para evitar mais polêmicas, Roberto Brum preferiu não mais falar. Procurado pelos jornalistas para passar o seu lado na história, o volante (através da assessoria de imprensa) afirmou que prefere deixar a tormenta passar, e prometeu conversar na próxima semana. Resta saber se, enfim, a novela vai terminar.

Josafá aparece entre os titulares

As opções são poucas. O técnico Antônio Lopes não terá cinco titulares (e mais um reserva ?de luxo?) na partida de domingo contra a Ponte Preta, às 16h, no Moisés Lucarelli. Apesar da esperança do treinador, Adriano e Tuta, que estavam com chances de jogar, estão fora dos planos, e juntam-se aos contundidos Luís Mário e Aristizábal e aos suspensos Miranda e Rodrigo Batatinha.

A tentativa derradeira de Lopes aconteceu pela manhã. Ele conversou com o médico Walmir Sampaio, e este foi taxativo ao dizer que seria arriscado Tuta voltar ao time, apesar de estar praticamente recuperado da lesão na coxa. “Ele até teria condições de atuar um tempo, mas seria uma aposta muito grande. A possibilidade de uma contusão mais grave é maior”, justifica Sampaio.

Com isso, e com a insegurança de Adriano (que claramente ainda sente dores na coxa), Lopes acabou em uma situação pior que a da semana passada. “Mas eu não vou lamentar. Vamos colocar a garotada e apostar neles para o futuro”, comenta o treinador alviverde. Certa é a entrada de Danilo na defesa e de Igor no meio-campo. Ataliba é mantido na equipe, e Márcio Egídio ganha a vaga de Pepo.

Nas outras posições, ainda há disputas. A lateral-esquerda pode ficar com Ricardo ou com Lira – o favorito é o primeiro, que foi titular no trabalho tático de ontem. A situação é a mesma na ?briga? entre Josafá e Laércio, já que o jogador carioca esteve no time de cima. “Quero avaliar o trabalho deles para depois decidir”, avisa Antônio Lopes.

Moro se altera e critica todo mundo

A tensão do julgamento do recurso do caso Ataliba, no STJD, que será hoje à noite, parece ter afetado o bom senso do vice-presidente do Coritiba, Domingos Moro. No jantar comemorativo de entrega das faixas do título paranaense, anteontem, o dirigente disparou contra a imprensa paranaense.

Exaltado, Moro acusou a imprensa de omissão no caso Ataliba, condenando o fato de as empresas jornalísticas não se fazerem presentes no julgamento, como se estas tivessem que fazer o papel de testemunhas contra um erro do seu departamento de registros ou, em último caso, da CBF.

Moro não levou em consideração que, no julgamento da 1.ª Comissão Disciplinar, no dia 3 de maio, a equipe da emissora CNT estava no local. Os correspondentes das rádios Banda B e Clube/Paraná, Welington Campos e Sérgio Guimarães, também estiveram lá – e estarão hoje novamente. O Estado do Paraná, através de fontes seguras, também noticiou todos os detalhes do primeiro julgamento e fará o mesmo na edição de amanhã, inclusive com fotos.

Ontem, passado o calor da “saia justa”, o dirigente, que está no Rio de Janeiro em função do julgamento, pediu para o assessor de imprensa do clube, Sandro Gusso, pedir desculpas. Mas o mal-estar certamente ainda está no ar.

Roberto Brum

Não foram só os cronistas esportivos que ficaram constrangidos no evento. O volante Roberto Brum, que continua treinando separadamente do elenco, foi chamado para receber sua faixa das mãos do técnico Antônio Lopes. Seria até normal, não fosse o fato de Brum ter sido afastado pelo treinador após um treinamento em que foi viril em alguns lances, há dois meses. Desde então, Brum segue treinando à parte.

No momento da entrega da faixa, Brum foi induzido a discursar. Meio sem jeito, o jogador tentou desviar do “assunto” falando da grandiosidade do clube, deixando claro que respeita o técnico, mas aquilo não era um pedido de desculpas. Atrás do jogador, Moro ficou “buzinando” que ele deveria pedir desculpas. Irritado, Brum interrompeu o discurso, agradeceu, largou o microfone e saiu do restaurante.