Valquir Aureliano
Zagueiro diz que não sabe como foi saltar e colocar a mão na bola no lance que encheu o Náutico de esperança e o levou ao empate.

A frustração estava estampada no rosto de cada um dos integrantes da comissão técnica. Mas, o desânimo era muito mais perceptível nas reações de Daniel Marques. Sentado num canto do vestiário, permaneceu estático por algum tempo, sem sequer conseguir tirar o uniforme. Resultado de um lance inusitado – definido por ele mesmo como ?erro grotesco? – e que determinou a reação do Náutico. O grupo precisará de algum tempo para digerir o empate por 4×4, em Recife, que custou ao Paraná Clube a liderança do Brasileirão.

O resultado final contraria as teses de que um ponto somado fora de casa é sempre bem-vindo. Afinal, durante grande parte do jogo, o Tricolor esteve com a vitória nas mãos. Mesmo nos momentos de pressão, quando o time pernambucano marcou seus dois primeiros gols, diminuindo a vantagem inicial do Paraná, que chegou a ser de 3×0. Para os atletas, ficou o gosto amargo de uma derrota, principalmente após a marcação do quarto gol, que teve efeito de um soco no queixo dos donos da casa.

?Mesmo com as bolas alçadas na nossa área, tínhamos a situação sob controle. Confesso que nãos entendi ainda o que fiz no lance. Como fui saltar e meter a mão na bola daquele jeito?, disse Daniel Marques, logo após a partida, desculpando-se com companheiros e com a torcida do Paraná. ?Sei que foi naquele momento que o Náutico encontrou forças para reagir. Foi um erro fatal?. Um dos mais regulares jogadores da equipe na temporada, Daniel Marques recebeu apoio dos amigos e sustentação da comissão técnica. ?Perdemos todos. Aqui é assim. O Paraná perdeu os pontos, não o atleta?, disse Pintado, tentando não imputar uma carga emocional ainda maior sobre o jogador.

Nas entrelinhas, o treinador deixou clara a necessidade de realizar ajustes na equipe. Em especial no sistema de marcação. Disse ter faltado experiência ao time para administrar uma vantagem construída nos primeiros dezesseis minutos de jogo. Uma gíria exprime de forma mais direta aquilo que se viu em Recife. O Paraná não soube usar da catimba, da malandragem. Ao abdicar disso, aceitou o fogo cruzado e quase saiu com a vitória devido ao elevado índice de aproveitamento ofensivo.

Uma qualidade explícita em números, já que o clube segue com o melhor ataque e o artilheiro do Brasil, Josiel, com sete gols. Porém, o quase não foi suficiente, o que faz acender o alerta no clube. Afinal, na próxima rodada o Tricolor tem outro desafio fora de casa, passar pelo Corinthians, no Morumbi, sábado.

Pintado exige time ofensivo

O Paraná teve um comportamento próximo do ?irresponsável? frente ao Náutico. Com uma postura altamente ofensiva, mostrou ser um time disposto a tudo para marcar gols, para vencer. Parecia uma volta ao passado – também pelo comportamento do adversário -, daqueles tempos onde os times entravam em campo sem a neura de marcar, marcar e marcar. E, tudo isso, fazendo uso do 3-5-2, na tentativa de anular, com o trio de zagueiros, as incômodas jogadas aéreas do adversário.

O técnico Pintado, em seu terceiro jogo à frente do clube – agora com uma vitória, um empate e uma derrota – comprovou o perfil ofensivo que exige do time. Algo que já havia sido mostrado frente ao Cruzeiro. A ousadia não foi um simples cartão de visitas em sua estréia no comando do Paraná. Após 270 minutos de bola rolando, o que se vê é um treinador comprometido com a vitória. ?Num campeonato por pontos corridos, é melhor vencer uma do que empatar três?, frisa Pintado. Ao que tudo indica, dificilmente o Tricolor entrará em campo na retranca, tentando encontrar um ?estilo copeiro?.

Esse jogo de pegada – que curiosamente foi a principal característica de Pintado enquanto jogador – não se encaixa ao atual perfil do grupo. O Tricolor conta, hoje, com atletas essencialmente ofensivos, como Josiel, Vinícius Pacheco e Vandinho, que ao que tudo indica cumpriu sua promessa. Antes do jogo, disse que estava entrando para não mais sair do time.

O desafio de Pintado será encaixar esse trio a um esquema que lhe dê também segurança defensiva, com maior participação dos alas e da dupla de volantes.