Seis meses depois, Jorge Wilstermann x Athletico marcou a volta da Copa Libertadores. E também marcou o renascimento de Walter como atleta profissional. Após mais de dois anos sem jogar, vindo de uma punição por doping e passando por uma ‘reconstrução’ física, o centroavante entrou para decidir a partida, que terminou com vitória do Furacão por 3×2, na noite desta terça-feira (15), em Cochabamba.

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Essa vitória pessoal, que teve lágrimas derramadas dentro do campo, se somou à gigantesca importância do resultado, que deixa o Athletico em situação bastante confortável no grupo C. Fazendo o serviço em casa, diante do mesmo Jorge Wilstermann e do Colo-Colo, o Furacão garante a classificação para as oitavas de final.

Os times

O Athletico foi escalado com surpresas – a mudança no esquema tático e a entrada de Lucho González. Sobre a troca, uma demonstração clara de Eduardo Barros de que era preciso ter cautela. Fechando a linha com quatro volantes de ofício (Lucho e Christian podem jogar mais à frente, mas são volantes) e abdicando de um atacante para substituir Nikão, o Furacão tentava conter uma pressão adversária.

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Na primeira observação, a entrada de Lucho González no time não tinha justificativa razoável. Se era para ter um meia mais avançado, que Ravanelli entrasse (e Jorginho, que foi contratado por causa da Libertadores, por que não viajou?). Só havia uma explicação mais ou menos lógicas – e surpreendente: o argentino seria uma espécie de ‘falso 9’. Mas só o jogo explicaria.

Jorge Wilstermann x Athletico: o jogo

No final das contas, Lucho era mesmo o ‘falso 9’, o homem mais adiantado do meio-campo do Athletico, que se fechava com duas linhas de marcação com Wellington entre essas linhas. Fabinho e Geuvânio marcavam pelo lado e atacavam pela diagonal. Mas o primeiro problema estava na esquerda. Márcio Azevedo perdia os duelos para Patito Rodríguez, aquele mesmo do Santos. E com dez minutos de jogo, o Jorge Wilstermann pressionava.

E numa falha incrível de marcação, o lançamento longo entre os dois zagueiros encontrou Álvarez livre. Com direito a drible em Santos, ele marcou e colocou os bolivianos na frente. Seria preciso jogar, e o Furacão tinha dificuldades de encaixe ofensivo. A sensação era que o esquema tático não tinha sido muito treinado. Havia um espaço na faixa central em que os donos da casa trafegavam sem problemas.

Era nítida a influência da altitude. Santos tinha problemas, os atacantes sofriam, o Athletico parecia travado. Mas não era somente a dificuldade de jogar em Cochabamba. Outra vez o Rubro-Negro estava desarrumado, problema que se vira no Campeonato Brasileiro. Mas, por ter mais qualidade, nem seria preciso melhorar muito para conseguir o empate – à exceção de Patito, o Jorge Wilstermann era muito frágil.

Erros, acertos e emoção

Após uns minutos de maior presença ofensiva rubro-negra, os bolivianos acabaram dando aquela força. O pênalti de Aponte sobre Fabinho foi primário, e Lucho (não era ele o centroavante?) deixou tudo igual. E o gol desnorteou os donos da casa. Logo depois Erick quase virou a partida. Não que o Athletico tenha melhorado muito na tática, apenas começou a acertar tecnicamente nos passes e nas finalizações.

A superioridade técnica do Furacão era evidente. Mas se Erick e Christian se desdobravam para preencher espaços que outros jogadores deixavam, a defesa fazia água. E em uma troca de passes (cinco toques dentro da área) Serginho recolocou os bolivianos na frente. A irregularidade rubro-negra seguia chamando a atenção. Só aí Eduardo Barros resolveu mexer, com aquelas alterações que estavam na cara: Pedrinho e Ravanelli nos lugares de Lucho e Geuvânio.

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Com a vantagem e o tempo passando, o Jorge Wilstermann se retraiu. E aí ressurgiu um destaque atleticano. A tabela com Fabinho foi mais um bom lance de Christian, que terminou marcando o gol que colocou o Furacão de novo no jogo. Na reta final da partida, Eduardo Barros colocou Abner, Carlos Eduardo e Walter.

E foi logo Walter, com toda a história de recuperação que passou nos últimos meses, quem decidiu o jogo na virada rubro-negra. Uma partida toda complicada terminou com as lágrimas do personagem da vitória que pode ter encaminhado a classificação do Athletico pra segunda fase da Libertadores.