Orlando Kissner
André Ribeiro, ao lado do presidente Giovani Gionédis, disse que
foi a única atitude possível
para recuperar a credibilidade
do futebol brasileiro.

O Coritiba assinou embaixo da decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), de anular as 11 partidas do Campeonato Brasileiro apitadas pelo árbitro Edílson Pereira de Carvalho.

O árbitro é réu confesso na manipulação de resultados na competição. ?Essa foi a única atitude possível para recuperar a credibilidade do futebol brasileiro?, disse ontem o vice-presidente do Coritiba, André Ribeiro.

A medida de refazer os 11 jogos do Brasileirão 2005 foi anunciada na manhã de ontem pelo presidente do STJD, Luiz Zveiter. Edílson Pereira de Carvalho comandou, no dia 21 de agosto, Internacional 3 x 2 Coritiba. Na partida realizada no Beira-Rio, o Coxa não teve dois pênaltis marcados a seu favor. O novo encontro entre as duas equipes ainda está sem data definida pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

A diretoria do Coritiba preferiu não polemizar as argumentações apresentadas pelos cartolas do Internacional, que contestam a anulação do confronto. Segundo o site oficial do Colorado gaúcho, ?o departamento jurídico do Internacional estuda uma ação para recorrer da decisão do presidente do STJD, Luiz Zveiter?. ?A decisão de Zveiter é uma medida cautelar, ou seja, não é definitiva.

O Internacional irá lutar por seus direitos?, afirma a nota oficial do time gaúcho.

Na avaliação do Coritiba, as equipes que se sentissem prejudicadas iriam reclamar. ?Mas qualquer que fosse a decisão do STJD ela seria acatada?, disse André Ribeiro.

Briga por posições

Após a rodada de ontem, o Coritiba está na 12.ª posição, com 38 pontos. Já o time gaúcho, que antes da notícia liderava o Brasileirão, voltou a tropeçar na tabela após o empate (2 a 2) em casa contra o Fluminense. O Inter está agora na 3.ª colocação, somando 49 pontos.

Coxa ganha mais um jogo

O Coritiba acabou tendo uma derrota e uma vitória (indireta) no final de semana.

E o técnico Cuca pretende tirar motivação das duas situações, tanto do resultado negativo do clássico com o Paraná quanto da anulação da partida com o Internacional, que ainda não tem data marcada para acontecer. O fato de ter um jogo a menos aumenta as chances de se credenciar a uma das vagas para a Copa Sul-Americana, desde que o time ajude. E isso terá que acontecer a partir do jogo de amanhã, às 20h30, contra o Goiás, no Couto Pereira.

Para Cuca, o rendimento alviverde no Pinheirão foi positivo. ?Principalmente no segundo tempo, quando estivemos inferiores numericamente. Não desistimos um instante, conseguimos virar o jogo. Só que o futebol tem situações que fogem ao nosso controle. O Mário César teve uma felicidade incrível no chute que deu o empate ao Paraná e, depois, quando ele errou, a bola bateu no Borges e entrou. Depois fomos tentar o empate mesmo com dois a menos, e deixamos o adversário preocupado o tempo inteiro. Fomos lutadores, bravos e eu gostei disso?, analisa.

O treinador alviverde não quis fazer avaliações aprofundadas da má atuação do Coxa na primeira etapa do clássico. ?A gente precisa analisar que o jogo foi mais truncado e que o Paraná soube marcar. Havia um adversário do outro lado, que tem méritos. Vamos também saber valorizar o que o Paraná fez?, comenta Cuca, que faz ressalvas apenas à arbitragem de Rodrigo Martins Cintra.

?Ele expulsou o Maia e o Nascimento em dois lances interpretativos. E, em clássicos, este tipo de jogada tem que ter uma outra avaliação?, reclama.

Para a partida de amanhã, além dos dois jogadores excluídos no Pinheirão, Cuca talvez fique sem o zagueiro Anderson, um dos melhores do time no clássico. ?E foi pela luta dele. Desde o primeiro tempo ele jogou com uma torção no tornozelo?, conta o treinador. Assim, o Coxa para enfrentar o Goiás pode ter modificações profundas – a volta de Caio ao ataque (ou a entrada de Marciano), a utilização de apenas dois zagueiros e o retorno de Rodrigo Mancha ao meio-campo. A definição acontece no treino de hoje, marcado para as 15h30, no CT da Graciosa.