Perseguição implacável
dos marcadores Márcio Egídio
 e Nascimento.

Cinco minutos foram suficientes para que o Coritiba perdesse para o Santos por 3 a 2, ontem à noite, no Couto Pereira. Melhor durante quase toda a partida, o Coxa pagou caro por um instante de desatenção. Foram três gols santistas nos momentos finais do primeiro tempo, quando o Cori tinha um jogador a mais em campo.

Empurrada pela torcida, que lotou o Couto em sua reabertura (mais de 33 mil torcedores), a equipe coxa-branca partiu para cima do Peixe. E o gol alviverde quase saiu nos primeiros minutos do jogo, mas Nunes desperdiçou duas grandes oportunidades. Aos 25 minutos, uma verdadeira blitz coritibana resultou na abertura do placar. Reginaldo Vital bateu bem uma falta, obrigando Henao a fazer uma boa defesa, colocando a bola para escanteio. Na cobrança, o próprio Vital recebeu de passe de Ricardinho e soltou uma bomba de perna direita. A bola desviou na zaga e bateu na trave antes de sair pela linha de fundo. Do novo tiro de canto saiu o gol coxa. Ricardinho cruzou e Márcio Egídio marcou de cabeça.

Tudo ficou ainda melhor para o Cori quando Bóvio disputou uma bola com Ricardinho junto à lateral. O juiz viu falta do meia santista e mostrou o cartão vermelho. Mas quem se perdeu com a expulsão foi o Coritiba. Ao invés de recuar, o Santos partiu para cima. O técnico Gallo tirou o meia Luciano Henrique e pôs um estreante que mudaria totalmente o jogo. O atacante Fabiano entrou pela primeira vez em campo com a camisa alvinegra e foi o responsável direto pela virada santista.

Em dois lances praticamente iguais, aos 42 e aos 43 do primeiro tempo, a zaga alviverde deixou o lateral Paulo César completamente livre para cruzar. Nas duas jogadas, dois gols de Fabiano.

Estarrecida pela virada em um minuto, a torcida coxa-branca não acreditava que a situação poderia piorar ainda mais. Mas piorou. Aos 47, Ricardinho bateu uma falta. A defesa alviverde errou ao tentar a linha de impedimento e Robinho apareceu livre para fazer o terceiro gol dos atuais campeões brasileiros.

O técnico Antônio Lopes não tinha outra alternativa se não partir com tudo para o ataque. O meia Souza e o atacante Nunes saíram do jogo e Tiago e Alexandre foram chamados para reviver a dupla de ataque que foi sensação no campeonato paranaense, pelo Iraty.

As mudanças deram mais velocidade ao Coritiba, obrigando o Santos a recuar e fazendo a galera coxa acreditar que uma nova virada no placar era possível. Logo aos seis minutos, Tiago cabeceou uma bola na trave. Logo depois, Marciano passou por Henao e chutou. A bola desviou no goleiro alvinegro e saiu. Na cobrança de escanteio, Ricardinho cruzou para Reginaldo Nascimento marcar o quinto gol de cabeça da noite.

Quando parecia que o empate alviverde era questão de tempo, Miranda derrubou Fabiano na entrada da área e recebeu seu segundo cartão amarelo. A expulsão esfriou um pouco os ânimos do Cori. O Santos passou a valorizar muito a posse de bola, e o jogo ficou truncado. O Coxa ainda criou algumas oportunidades, mas não o suficiente para conseguir o empate.

Ao final do jogo, a torcida reconheceu o esforço dos jogadores e aplaudiu o time coxa-branca. Quem também estava satisfeito era Antônio Lopes. ?Fico triste com o resultado, mas feliz com o futebol apresentado pela equipe?, disse o treinador. ?O Coritiba não merecia essa derrota. Foram cinco minutos de pane da defesa, que sempre foi nosso ponto forte?, lamentou o delegado.

O próximo compromisso do Cori pelo Brasileirão é no próximo domingo, contra o Palmeiras, novamente no Couto Pereira. Antes, o time vai à Paraíba, onde na quarta-feira enfrenta o Treze, pela Copa do Brasil.

Galera aprova o estádio

A pesar da derrota para o Santos, a noite de ontem não foi só de decepções para a torcida do Coritiba. Além de aplaudir o esforço do time ao final do jogo, a galera coxa-branca só tinha elogios para as reformas do Couto Pereira.

?A diretoria fez um ótimo trabalho, principalmente em relação ao gramado e aos bancos de reservas. O trabalho não está terminado ainda, mas as mudanças ficaram ótimas?, diz o estudante Eduardo Ribas.

Para empresário Hermínio Varesqui, as mudanças no Couto fazem parte de uma disputa contra o maior rival. ?O campo, os camarotes, ficou tudo muito bonito. Tem que continuar mexendo no estádio para deixar tão bonito quanto o do Atlético?, afirma.

Os maiores interessados no novo gramado também aprovaram as mudanças. Ao final do jogo, os jogadores do Coxa foram unânimes em ressaltar a qualidade do campo. ?O gramado é excelente. Não pudemos treinar aqui, mas isso não atrapalhou. Temos jogadores muito rápidos, como o Marciano e o Alexandre, e essa grama ajudou bastante?, disse Reginaldo Vital.

Parceria ajuda reforma do Couto

Foram mais de quatro meses de saudade, viagens intermináveis, pequeno apoio das arquibancadas e prejuízo financeiro. Mas ontem, finalmente, o Coritiba e seu torcedor voltaram para o lar, encontrando um Couto Pereira revitalizado e com várias novidades.

O carro-chefe é o gramado, totalmente trocado por causa de irregularidades que há anos impediam a bola de rolar com perfeição. Mas também há novidades dentro de campo (como novas traves, banco de reservas), no estádio (sala de imprensa, camarotes) e fora dele (mastro) (confira detalhes de cada uma delas no quadro).

O custo das obras girou em torno de R$ 3 milhões a R$ 3,5 milhões. Deste total, cerca de R$ 1 milhão foram desembolsados pelo clube, segundo o secretário da presidência Luiz Henrique Barbosa Jorge, o ?Espeto?. O restante foi financiado por parceiros do Coxa, que tiveram suas contrapartidas. A companhia de postos Potencial (novo patrocinador do clube) financiou os bancos de reservas e fixou ali seu logotipo; o mesmo fizeram a própria Potencial, a Claro e a Penalty na sala de imprensa; a construção dos camarotes também foi terceirizada em troca de considerável participação nas vendas, e assim por diante. ?Ainda temos uma grande dívida e dificuldades financeiras. As parcerias são a única saída para seguir ampliando o patrimônio?, falou o dirigente à Tribuna.

Museu e luz, os próximos

Concluídas estas benfeitorias, o Coxa parte ainda este ano para objetivos mais ousados. O primeiro é a construção do museu do clube, cujo projeto é inspirado no do Boca Juniors, talvez o mais completo da América do Sul. Um telão com visita virtual ao estádio e computadores que permitem ao visitante observar lances históricos estão entre as novidades que seriam importadas do time argentino.

O maior e mais antigo deles foi promessa de várias diretorias, mas sempre acabou engavetado: a conclusão do terceiro anel. O clube garante que o projeto já foi aprovado pela Prefeitura, um dos entraves que atrapalharam o plano no passado. Outro plano é a troca do sistema de iluminação, bastante antigo e precário. Esta é uma das principais reclamações principalmente dos fotógrafos, que encontram dificuldades para um trabalho profissional de ponta. O clube concluiu que não vale a pena reformar os refletores – a única solução é a substituição completa do sistema.

Mas o principal empecilho para todos eles continua o mesmo, a falta de dinheiro. ?Tudo depende de conseguirmos nova parceria. Estaremos trabalhando para viabilizar a obra até o final do ano?, afirma Espeto, que estima o custo da ampliação em R$ 3 milhões a R$ 4 milhões.

CAMPEONATO BRASILEIRO 2005
2.º rodada
Local: Couto Pereira
Árbitro: Luiz Antônio Silva Santos (RJ)
Assistentes: João Luiz Ribeiro Magalhães (RJ) e José Cláudio Paranhos (RJ)
Cartões amarelos: Nunes, Miranda, Márcio Egídio, Henao, Leonardo, David e Fabiano.
Cartões vermelhos: Miranda. Ricardinho e Bóvio.
Público: 31.518 pagantes (33.846 total)
Renda: R$ 325.787,50

Coritiba 2 x 3 Santos

Coritiba
Fernando; Rafinha, Miranda, Reginaldo Nascimento e Ricardinho; Márcio Egídio (Flávio), Reginaldo Vital, Souza (Alexandre) e Jackson; Marciano e Nunes (Tiago) Técnico: Antônio Lopes

Santos
Henao; Paulo César, Leonardo, Cristiano Ávalos e Léo; Fabinho, Bóvio, Luciano Henrique (Fabiano) (Basílio) e Ricardinho; Robinho (Zé Elias) e Deivid. Técnico: Alexandre Gallo