Foto: Valquir Aureliano/Tribuna
Da ?janela? no CT do Caju,
no Umbará: jogadores do Rubro-Negro treinam ao fundo
em um dos campos.

O goleiro Cléber tem bons motivos para comemorar a troca de Lothar Matthäus por Givanildo de Oliveira no comando do Atlético. Além de ele ser fixado como dono da camisa 1, o novo treinador rubro-negro gosta dos tradicionais coletivos, prática deixada de lado pelo alemão, além de já ter abolido o revezamento. Para o goleiro, que ainda não admite ser o titular, os treinamentos agora são mais realistas e ajudam na hora da correção dos erros. Além dele, o volante Bruno Lança e o atacante Dênis Marques deverão ser as novidades diante do Volta Redonda.

?O revezamento foi ruim para os dois goleiros porque a gente chegava um dia antes da partida e não sabia quem iria jogar. A gente concentrava no mesmo quarto e um perguntava para o Tiago Cardoso: quem vai jogar??, opinava Cléber. Para ele, essa política adotada por Matthäus causava um desconforto entre os próprios jogadores. ?Agora, com a chegada do Givanildo, tenho certeza que a confiança vai voltar e o time, se Deus quiser, vai entrar nos eixos?, destaca.

De acordo com o goleiro, o revezamento no gol e os métodos pouco usuais do alemão acabavam prejudicando o futebol da equipe, como na péssima rotina de tomar gols em bolas aéreas. ?Não criticando o trabalho do Matthäus, mas ele não fazia coletivos e o Givanildo faz coletivos táticos. Tenho certeza que isso vai melhorar a cada jogo nessa questão de bola parada?, aponta. Desde que o pernambucano chegou, já foram três trabalhos dessa forma e devem acontecer mais dois até a partida contra o Volta Redonda.

Apesar da empolgação de Cléber com Giva, ele ainda não se considera titular. ?Ele ainda não oficializou. No coletivo de hoje (ontem) sai no time titular, mas isso pode mudar e nós temos que respeitar a decisão do treinador?, justifica. Mesmo assim, ele não precisa se preocupar. Além de ter atuado na equipe de cima, foi um dos selecionados para a entrevista coletiva, o que mostra que ele é mesmo o novo titular da posição.

A imprensa, como sempre, não pôde entrar no CT do Caju, mas os trabalhos se desenrolaram num campo próximo da portaria e deu para ver as mudanças efetuadas pelo técnico. Junto com Cléber, ganham a condição de titular o volante Bruno Lança, o meia Fabrício e o atacante Dênis Marques,já que o treinador não pode contar com o meia Evandro (suspenso), o lateral-esquerdo Michel Bastos e o atacante Dagoberto, em recuperação. O provável time para a partida contra o Volta Redonda, às 20h30 de quarta-feira, no Joaquim Américo, deverá contar com Cléber; Jancarlos, Danilo, Paulo André e Moreno; Erandir, Bruno Lança, Fabrício e Ferreira; Dênis Marques e Rodrigão.

Alemão quer evitar lavanderia com Atlético

O técnico Lothar Matthäus estendeu bandeira branca e mostra que não quer mais bater – boca com a diretoria do Atlético. Num comunicado em seu endereço eletrônico, o ex-treinador rubro-negro escreveu que ?determinadas coisas não pertencem ao público? e parece colocar um ponto final nas desavenças com o rubro-negro. De acordo com o alemão, ele se dirigiu muito mal em suas explicações sobre a saída repentina do Furacão, mas não vai mais falar sobre o assunto, nem entrar em detalhes.

?Tenho que agir dessa maneira para não transformar a separação entre as partes numa lavanderia pública de roupa suja?, disse. Para Matthäus, os problemas entre ele e o clube podem e devem ser resolvidos olhos nos olhos. ?Isso é muito importante para mim. Algumas coisas no Brasil deram erradas. O afastamento das crianças e da minha esposa era um problemas mas poderia ser solucionado?, apontou.

Segundo Matthäus, algumas coisas estavam acertadas e não foram cumpridas e ele achou melhor ir embora. ?Me pareceu melhor dar à equipe a possibilidade de contratar um novo técnico, que teria tempo para a nova competição?, explicou. Mesmo assim, ele não quis entrar em detalhes do que estava acertado e não funcionou como esperava. Pela internet, o Atlético cobrou contas de telefone que o profissional supostamente teria utilizado e que teria que pagar.

Fora isso, a direção do clube não fala sobre o assunto, mas a hipótese de salários atrasados para a disparada de Matthäus rumo à Europa é a mais cotada nos bastidores. A diretoria não se manifesta sobre o assunto. Sobre o futuro, o treinador revelou que recebeu sondagens, mas preferiu não acertar com ninguém. Com a proximidade da Copa do Mundo, ele quer se dedicar aos compromissos já assumidos com uma rede de tevê e com dois patrocinadores.