Daniele Hypólito foi o principal destaque
na despedida da ginástica, com três ouros.

Rio de Janeiro – Foram 11 dias que marcaram o início de uma nova era na história dos Jogos Sul-Americanos. O Brasil, País anfitrião, terminou em primeiro lugar na classificação geral mas o esporte do continente, como um todo, foi o maior vitorioso, como reconheceu o presidente da ODESUR (Organização Desportiva Sul-americana), Antonio Rodriguez. “Tudo funcionou muito bem nas quatro sedes. O Brasil demonstrou a sua capacidade de organizar eventos de grande porte”, disse ele durante a cerimônia de encerramento, realizada no Ginásio Algodão, no Rio.

O último dia de competições manteve a adrenalina em alta. Começou com Brasil e Argentina lutando pelas medalhas na ginástica artística, em Curitiba, e terminou da forma como começara: com o Equador no alto do pódio. A judoca Glenda Miranda conquistou a primeira medalha de ouro dos Jogos, na categoria superligeiro, dia 1 de agosto, e seu compatriota Espinoza Aguas foi o último a subir ao pódio para receber o ouro, depois de um nocaute espetacular na luta contra o brasileiro Ubiratan Costa, pela categoria superpesados, que fechou a programação do boxe e de toda a competição.

O Brasil encerrou a sua participação com 329 medalhas, sendo 146 de ouro, 94 de prata e 89 de bronze. A Venezuela foi a vice-campeã, com 229 (95 de ouro, 68 de prata e 66 de bronze). E a Argentina, campeã em todas as seis edições anteriores, desta vez terminou na terceira posição, com 75 ouros, 91 pratas e 79 bronzes (245 no total).

Nestes 11 dias, muitos recordes caíram, dentro e fora dos locais de competição. Pela primeira vez um país conseguiu superar a marca das 300 medalhas. O Brasil superou também o recorde de ouros obtidos, com 146. A marca anterior era da Argentina, que conquistara 114 nos Jogos de 82, em Rosario.

Numa comparação com a edição anterior, em Cuenca, os brasileiros ganharam mais do que o dobro de medalhas (329 contra 153). E não foi só. A Venezuela também deu um grande salto de qualidade, passando de 126 para 229, e assumindo uma posição de destaque no continente.

Foi, enfim, um evento para deixar saudades. E torcer para que o sucesso se repita na próxima edição, em 2006.

Ginástica domina com show de Dani Hypólito

O destaque do último dia dos Jogos foi o desempenho das ginastas brasileiras em Curitiba. Daniele Hypólito deu um verdadeiro show em sua última apresentação do programa de kginástica olímpica, no ginásio do Tarumã. Conquistou o primeiro lugar no solo, com a nota 9,500. Foi a quinta medalha de ouro de Daniele. Sua superioridade sobre as adversárias no solo foi tão grande que a segunda colocada na prova, a argentina Daniela Conde, conseguiu 8,375. Martina Castro Lazo, do Chile, ficou em terceiro lugar, com 8,050. Daniele admitiu, na coletiva após os Jogos, estar se transferindo para Curitiba, para se integrar ao programa da seleção permanente do Brasil.

Na ginástica rítmica desportiva, a GRD, a brasileira Larissa Barata, de 15 anos, venceu nas maças e terminou como a melhor ginasta em seu esporte. Na última disputa do dia, ela conseguiu 25,250 pontos, contra 24,725 da argentina Anahí Sosa. Maria Antonela Yacobelli, também da Argentina, foi a terceira colocada com 24.350. Na briga pelas medalhas, Larissa ganhou quatro ouros (individual geral, equipe, bola e maça) e duas pratas (corda e arco). Anahí conquistou dois ouros (corda e arco) e quatro pratas (individual geral, equipe, bola e maça).

Ciclismo

Os “gringos” levaram todas as medalhas do último dia de competição de ciclismo dos Jogos Sul-Americanos, disputada em Curitiba. Nas provas de estrada, realizadas ontem pela manhã na BR-277 e no Contorno Leste, os vitoriosos foram o argentino Edgardo Símon e a venezuelana Anrosy Paruta.

A prova feminina foi a primeira, tendo 50 quilômetros de percurso. Paruta a completou em 1h22min06s. A prata ficou para a argentina Valeria Pintos e o bronze para outra venezuelana, Angie Gonzales. Todas chegaram num bloco só, junto com as irmãs brasileiras Janildes e Clemilda Silva. O resultado final foi definido no fotofinish.

Desgastante

No masculino a competição foi disputada em 140 quilômetros. Foram duas voltas e o trecho dentro do Contorno Leste foi de 40 km, enquanto no feminino apenas 10 km. Durante mais da metade da prova um grupo de 14 competidores se desgarrou e liderou. Faltando pouco mais de 30 quilômetros para o retorno ao Jardim Botânico, local de largada e chegada, quatro competidores despontaram, seguindo assim até o final. Também decidido no fotofinish, o pelotão vencedor teve um tempo registrado de 3h13min22s. O bronze coube ao venezuelano Victor Becerra.

Organização é aprovada

Rio

– “O Brasil demonstrou a sua capacidade de organizar eventos de grande porte”. Foi este o balanço final do presidente da ODESUR, Coronel Antonio Rodriguez, sobre a organização dos VII Jogos Sul-Americanos. Ao final da cerimônia de encerramento, realizada no Estádio Miécimo da Silva, no Rio, Rodriguez se mostrou satisfeito com a realização dos Jogos no Brasil. “Estive nas quatro sedes e vi que tudo funcionou muito bem”, frisou o presidente, elogiando ainda a boa comunicação entre os comitês organizadores das quatro sedes, garantido através de videoconferências diárias no período dos Jogos.

A cerimônia de encerramento aconteceu logo em seguida à entrega de medalhas do futsal – ouro para o Brasil, prata para a Argentina e bronze para a Bolívia – na noite de domingo. “Demonstramos a capacidade de organização do esporte brasileiro”, disse o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman.