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Brasil pede ajuda para combater violência no futebol

  • Por Agência Estado

Disposto a enfrentar a falta de organização, as brigas de torcidas e as invasões de gramado que se sucedem no futebol brasileiro, o governo foi buscar a ajuda dos ingleses na tentativa de melhorar a segurança e o funcionamento dos estádios no País. Convidado a participar de um seminário sobre o tema no Ministério do Esporte, o secretário-executivo da Autoridade de Licenciamento de Futebol (Football Licensing Authority) do Reino Unido, John de Quidt, contou ontem como os britânicos conseguiram conter os temíveis hooligans, torcedores responsáveis por tumultos que chegaram a matar até 96 pessoas num único jogo nos anos 80.

O seminário em Brasília ocorreu um dia após a final do campeonato carioca, em que o Vasco venceu o Fluminense e conquistou o título em meio a muita confusão, com bate-boca entre os treinadores e a invasão do gramado. De Quidt estava no Maracanã, assim como no sábado foi ao Morumbi, onde viu o Corinthians superar o São Paulo e ganhar o paulista. Nos dois jogos, ele contou não ter visto sequer os gols, pois estava de olho nas torcidas, na polícia e nos funcionários dos clubes. “No Maracanã, por exemplo, não estava claro quem era responsável por evitar a invasão do campo”, criticou ele, enfatizando que é preciso definir nos mínimos detalhes e por escrito quem cuida do quê dentro de um estádio. E isso inclui desde o acesso às arquibancadas, o livre acesso às saídas, o número máximo de torcedores por setor e a infra-estrutura de bares e banheiros.

“Quanto melhor o torcedor for tratado, melhor será seu comportamento. Isso pode levar tempo para surtir efeito, mas vale a pena”, disse ele.

Para conter os hooligans e dar paz aos estádios, o órgão chefiado por De Quidt zela pelas condições de segurança em 94 campos de futebol do Reino Unido. Ligado ao governo e desvinculado das federações esportivas, o órgão tem poder de limitar ou até proibir a presença de torcedores numa partida, se constatar risco de violência. Sua ação mescla vigilância com câmeras de vídeo, certeza de punição para os infratores e bom tratamento ao público. O resultado é que agora as brigas entre hooligans ocorrem fora dos estádios.

O ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, disse que a criação de órgão semelhante no Brasil poderá ser estudada, caso surja proposta assim nos debates que o ministério está promovendo com diversos setores. O governo espera que o Estatuto do Torcedor seja aprovado no Senado nas próximas semanas. O texto fixa punições a quem brigar ou invadir o gramado e já passou pela Câmara.

Agnelo sabe que, para virarem realidade, as inovações que darão segurança aos estádios brasileiros dependem de recursos. Daí a expectativa, ainda sem nada de concreto definido, de que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pudesse vir a financiar os times. O investimento teria como objetivo dotar o País de infra-estrutura para sediar a Copa do Mundo de 2014.

No Reino Unido, em vez de policiais quem vigia os torcedores são funcionários treinados pelos clubes. Ao contrário do Brasil, o governo britânico cobra pelo policiamento. E os dirigentes dos clubes são responsabilizados por distúrbios. Os funcionários é que agirão primeiro em caso de desordem, tentando contornar o problema sem violência. Se falharem, aí sim a polícia entrará em ação.

Bebidas alcoólicas são vendidas livremente durante o jogo, mas é crime chegar bêbado ao estádio. “Sabemos que o torcedor vai beber cerveja. Então é melhor que beba dentro do estádio, onde podemos controlar o quanto está bebendo”, disse ele.

A melhoria da segurança e da infra-estrutura nos estádios britânicos ocorreu na década de 90, após a morte de 155 torcedores em distúrbios nos anos 80. O governo repassou o equivalente a até R$ 10 milhões por clube para financiar a mudança, segundo De Quidt, usando recursos de loterias. A última morte foi registrada em 1993, quando um torcedor foi atingido no rosto por um rojão. Tantas medidas de segurança, porém, custam caro e elevam o preço dos ingressos. O resultado é que a população pobre acaba ficando de fora. “Vai ao estádio quem tem dinheiro”, disse De Quidt.

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