Muito mais do que treinar jogadas e ajustar posicionamento de atletas para o “jogo do ano”, Geninho tem que passar tranqüilidade aos seus comandados para que eles consigam conter a ansiedade e não se intimidem com a pressão que vão viver no Estádio dos Aflitos.

O confronto será uma decisão e poderá definir o futuro de Atlético e Náutico no Brasileirão. E há vários fatores que o time paranaense tem que levar em conta para não ser surpreendido em Recife e não repetir o fiasco do ano passado, quando foi humilhado por 5 a 0.

A equipe pernambucana terá a seu favor a presença da inflamada torcida alvirrubra; o retrospecto jogando em casa, o faro de gol de Felipe e o conhecimento de Roberto Fernandes, cuja passagem pelo Atlético pode lhe render alguma vantagem.

Armas

O torcedor do Timbu tem comparecido ao estádio, mas age de acordo com o rendimento do time no gramado. Caso o Atlético consiga neutralizar as principais jogadas adversárias e mantenha o jogo morno, a torcida não exercerá tanta pressão, ainda mais que vive uma relação de amor e ódio com o treinador.

O retrospecto do Náutico nos Aflitos também deve ser considerado. Em 18 partidas, venceu 8, empatou 5 e perdeu 5, com aproveitamento de 53,7%. A última derrota foi há mais de um mês, dia 4 de outubro, contra o Flamengo.

O goleador Felipe merece atenção especial, já que tem sido decisivo. Nos últimos quatro jogos, deixou sua marca em três e no campeonato soma 13 gols. Porém ele não tem treinado, por reclamar de dores musculares, e é dúvida.

Hora da verdade

Roberto Fernandes teve uma passagem tumultuada pelo Furacão. Até hoje funcionários do clube imputam a ele grande parte da culpa pela má fase vivida em rodadas passadas. Declarações polêmicas dadas pelo técnico, antes de sair do clube paranaense, também não repercutiram bem.

Por outro lado, Fernandes tem suas mágoas do ex-clube, já que conviveu com muitos problemas por aqui, principalmente com atletas machucados. Desta maneira não pôde mostrar seu trabalho e saiu por baixo do Furacão.

Este sentimento de revanche é outro detalhe que servirá de estímulo no Timbu. Além disso, Fernandes tem sorte contra o Atlético. No ano passado, sob seu comando, o Náutico não perdeu.

Na Arena, conquistou um empate (1 a 1) e, nos Aflitos, goleou (5 a 0). Neste ano, ele não participou do confronto entre as equipes, pois havia acabado de ser demitido do Furacão.