Orlando Kissner
André Conceição vai estrear com a camisa rubro-negra no Beira-Rio.

Ao ataque, Atlético! Depois de passar a maior parte do Campeonato Brasileiro jogando no 3-5-2 e no 4-4-2, o técnico Antônio Lopes surpreende e acena com a possibilidade de usar três atacantes contra o Internacional. E tem mais mudanças na equipe. Os recém-contratados Cristian e André Conceição também devem entrar, assim como Juninho ganha oportunidade na zaga com a suspensão de Paulo André. Muito próximo da zona de rebaixamento, o Rubro-Negro precisa da vitória para se livrar o mais rápido possível do fantasma da segundona.

?Hoje (ontem) treinaram o Finazzi, o Dênis Marques e o Thiago Almeida. Mas a intenção é contar com o Lima no time e ficar com três atacantes. Tenho que esperar a recuperação dele?, adiantou o treinador do Furacão. Ontem, ele comandou o primeiro trabalho técnico e tático da semana debaixo de muita chuva e frio no CT do Caju. Por enquanto, ele não pôde utilizar o atacante Lima devido a dores no joelho. Se ele melhorar, tem presença garantida contra os gaúchos.

Além da aposta no 4-3-3, o Delegado também resolveu mexer na meia-cancha. Saem de cena Douglas e Marcus Winícius e entram André Conceição e Cristian. ?Sou um jogador que gosta de marcar, mas também sair para o jogo. Por isso, gosto de atuar como segundo volante sempre chegando ao gol?, destacou Cristian. Depois de fazer as avaliações de rotina no CT do Caju, ele assinou contrato e foi apresentado ontem.

O novo volante vem do Paulista, onde estava disputando a Série B do Campeonato Brasileiro. ?É uma experiência nova, já que só tinha jogado no Paulista. Mas está legal, o grupo é homogêneo. Tenho alguns amigos aqui. Joguei com o Finazzi, com o Danilo e com o Thiago Almeida. Eles estão me ajudando da melhor maneira?, analisou o volante. Ele tem 22 anos e conquistou a Copa do Brasil deste ano. Se sua documentação ficar pronta até amanhã ele já poderá fazer sua estréia com a camisa rubro-negra, domingo, no Beira-Rio.

Na zaga, nenhuma surpresa. Como o titular Paulo André está suspenso pelo terceiro cartão amarelo e Durval está se recuperando de uma fratura na mão esquerda, Juninho foi o escolhido para atuar ao lado de Danilo. Hoje, o elenco atleticano volta a trabalhar somente no período da tarde. O provável time para domingo terá Diego; Jancarlos, Danilo, Juninho e Marcão; André Conceição, Cristian e Evandro; Lima (Thiago Almeida), Finazzi e Dênis Marques.

35 anos de uma das maiores conquistas do Atlético

Memórias de um dos títulos mais significativos da história do Atlético voltaram à tona. Uma exposição que termina hoje, às 20h, Hotel Rayon (ao lado da Rua 24 Horas) marca a comemoração dos 35 anos da conquista do Campeonato Paranaense de 1970 – o ?Título da Raça?, conforme os organizadores da homenagem. O ponto

alto da festa foi uma confraternização realizada terça-feira à noite, no mesmo local.

A homenagem foi iniciativa dos sítios Furacao.com e Rubronegro.net. ?É uma forma de reconhecer a grandeza de quem participou do título estadual mais importante da história do Atlético. Sem aquela taça, o clube estaria fadado a desaparecer?, justifica Sérgio Tavares Filho, um dos responsáveis pelo Furacao.com.

A exposição traz reproduções ampliadas de jornais da época, relatando toda a trajetória atleticana, e de quebra outros acontecimentos do início da década de 1970, como o incêndio que destruiu o Teatro Guaíra e a conquista do tricampeonato mundial no México. Também são exibidas camisas, bandeiras, flâmulas, faixas e fotos do título.

Um detalhe: a diretoria atleticana protestou contra a realização do evento, alegando que a imagem do clube estaria sendo usada indevidamente. Uma ameaça de ação judicial foi cogitada pelo clube, mas os organizadores explicaram que tratava-se de uma homenagem de torcedores e o entrevero foi contornado.

História

O campeonato de 70 marcou o fim de um jejum de 12 anos do Rubro-Negro. Em crise financeira desde a montagem do supertime de 1968, que acabou derrotado pelo Coritiba na decisão do Paranaense, o Atlético não era considerado o favorito para o título daquele ano. Mas o elenco que incluía jogadores modestos, alguns poucos craques como Sicupira e veteranos como Djalma Santos superou as dificuldades na base da dedicação e levou a taça ao Joaquim Américo.

No jogo decisivo, em 13 de setembro, o Furacão precisava vencer o Seleto, em Paranaguá, para terminar em primeiro no hexagonal final, que também tinha Coritiba, Grêmio Oeste (Guarapuava), União Bandeirante e Grêmio Maringá. A caravana rubro-negra desceu a serra e lotou o acanhado estádio do Seleto, empurrando o time para uma fácil vitória: 4 a 1. O Atlético jogou Vanderlei; Djalma Santos, Zico, Alfredo e Júlio; Reinaldo e Toninho; Liminha (Gildo), Sicupira, Nelsinho (Zezé) e Nilson Borges. O técnico era Alfredo Ramos.

Todo o elenco de 1970 foi convidado para a festa de terça-feira. Entre os titulares que compareceram estavam goleiro Vanderlei, os laterais Djalma Santos e Júlio, o zagueiro Alfredo, o meia Sicupira e o ponta Nílson Borges, além do vice-presidente Lauro Rego Barros e da viúva do presidente Rubens Passerino Moura, Glaci. Os campeões – acompanhados de políticos, torcedores, o atual técnico Antônio Lopes, atletas e dirigentes de outras épocas – discursaram, cantaram o hino do clube e ouviram os gols da decisão na transmissão original da Rádio Clube, com narração de Airton Cordeiro e reportagens de Jota Pedro e Carneiro Neto.

Embora tenha no currículo títulos como o bicampeonato mundial com a Seleção Brasileira em 1958 e 62, Djalma Santos não disfarçou a emoção. Lúcido e disposto aos 76 anos, o antigo lateral-direito – que recentemente ganhou a título de cidadão honorário de Curitiba – chorou ao relembrar histórias da época e elogiou a iniciativa de resgatar a memória do clube. ?É um exemplo até para a CBF, que só reuniu uma vez os bicampeões mundiais?, diz ele, que considera o título de 70 – vencido quando tinha 41 anos – um dos mais marcantes de sua carreira. ?Joguei quase quatro anos no Atlético e sei o quanto a torcida precisava daquela alegria. E foi meu último momento de glória no futebol?, recorda.

Doação de brinquedos hoje no Prajá

A campanha ?Libertadores de um Sorriso? continua a todo vapor e agora vai premiar quem fizer uma doação de brinquedo. Hoje, das 19h às 21h, a equipe do sítio Furacao.com estará na lanchonete Prajá Comes e Bebes, em frente à Arena da Baixada, recolhendo os presentes. Quem levar um brinquedo até o local concorre a uma camisa do lateral-esquerdo Marcão utilizada durante a Copa Libertadores da América.

A expectativa é que os torcedores que costumam encher o local em dias de jogos contribuam para ajudar a fazer feliz o Dia das Crianças (12 de outubro) de menores carentes. Participarão do evento o goleiro e padrinho da campanha, Diego, e outros jogadores, que estarão disponíveis para fotos e distribuição de autógrafos.

?A idéia da ação social surgiu depois da boa vitória do Atlético contra o Santos, na Vila Belmiro, pela Copa Libertadores da América?, revela Rogério Andrade, idealizador do projeto. Segundo ele, a união em torno de um clube de futebol pode ajudar na busca da felicidade em outras áreas também.

?Nós nos alegramos tanto com a campanha do nosso time que agora podemos retribuir de uma maneira também surpreendente?, vibra.

A campanha ?Libertadores de Um Sorriso? foi lançada no dia 21 de agosto e contou com a participação dos jogadores. Os atletas distribuíram autógrafos e tiraram fotos com os torcedores que foram até o local para contribuir. Estiveram presentes também os representantes do Instituto Pró-Cidadania (IPCC) e a Fundação de Ação Social do Paraná (FAS). A Prefeitura de Curitiba e o próprio Atlético estão colaborando na campanha.