No primeiro jogo sem o técnico Tiago Nunes, os torcedores do Athletico ficaram divididos. Enquanto alguns preferiram demonstrar gratidão ao comandante pelo que ele fez nos 104 jogos em que esteve à frente da equipe, outros reprovaram a escolha dele de sair do Furacão e o chamaram de ‘mercenário’. Na noite de quarta-feira (6), o Rubro-Negro recebeu o Cruzeiro em uma partida em que mesmo com um a mais em campo e com muita agressividade e ficou no 0x0.

Antes de a bola rolar, nos arredores do estádio, o assunto era um só: a saída do treinador. Nas rodas de torcedores, as conversas giravam em torno do tema. Tiago Nunes, que tinha contrato com o clube até dezembro, encerrou seu compromisso para que pudesse acertar com o Corinthians.

As opiniões eram diversas e muitos torcedores relembraram tudo que o treinador fez, incluindo as inéditas conquistas da Sul-Americana e da Copa do Brasil, além do Paranaense e da Levain Cup, no Japão. Além disso, vitórias importantes nesta temporada como o 3×0 em cima do Boca Juniors e o 1×0 no River Plate, atual campeão da Libertadores, também ficarão gravadas na ‘conta’ do técnico.

Já para outros rubro-negros, ele não cumpriu com seu discurso de que dizia acreditar no projeto do Athletico e que, por isso, permaneceria nas dependências do CT do Caju. Esse ponto de vista dava conta de criticar, inclusive, as explicações dele na coletiva de imprensa que concedeu. Na manhã de quarta, ele convocou a imprensa para dar sua versão dos fatos, mas para muitos, as falas não convenceram. O treinador foi para o time paulista para receber cifras bem mais altas do que a realidade do Furacão e, por isso, não era difícil encontrar quem chamasse Tiago de mercenário.

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Dentro do estádio, cartazes com os dizeres “gratidão é a voz do coração” e “Tiago Nunes lembra de 2017? Memória curta” foram colados na mureta que separa a arquibancada do gramado. As palavras faziam referência à nota divulgada oficialmente pelo clube sobre a saída do técnica, em que duras críticas foram feitas. Outros protestos traziam os dizeres “Ídolos são os que ficam juntos até o fim”.

Torcida já não vê mais Tiago Nunes como ídolo. Foto: Albari Rosa
Torcida já não vê mais Tiago Nunes como ídolo. Foto: Albari Rosa

Curiosamente, quando assumiu o time principal, em maio de 2018, Tiago Nunes encarou o Cruzeiro, mas com a equipe ainda nos moldes de seu antecessor, Fernando Diniz, pouco pode fazer naquela ocasião, pela Copa do Brasil. Desta vez, um ano e seis meses depois, diante também do mesmo Cruzeiro, ele não esteve em campo, mas foi o destaque, mesmo ausente.

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A presença do técnico ainda era sentida. O Rubro-Negro ainda foi aquele time que jogou sob a ‘batuta’ de Nunes, mesmo que comandado por Eduardo Barros. Ainda que a equipe não tenha saído com a vitória, o jogo intenso permaneceu, assim como a entrega pela busca do placar.

Pode ser que leve tempo para que o estilo Tiago Nunes, dentro e fora de campo, deixe de fazer parte do Athletico. Ou, é possível, que já nas próximas partidas fique claro que o estilo é, na verdade, do Furacão. Resta ao torcedor, agora, dar tempo ao tempo, deixar as mágoas de lado e decretar de vez o desfecho desse relacionamento que foi verdadeiro enquanto durou.